Um amor e uma cabana? Porque todo casal deveria falar sobre dinheiro.

Sim! E viveram felizes para sempre.

Seria o final, ou melhor, o começo ideal. Os recém-casados teriam uma vida tranquila e repleta de momentos românticos, como a insinuada por aqueles filmes dos anos 50 que terminavam com um close no casal se beijando enquanto a tela escurecia lentamente.

Mas um dia o dinheiro, esse terceiro elemento que foi se infiltrando devagarzinho na relação, resolveu gritar para o mundo que ele existia, prejudicando o equilíbrio precário do triângulo amoroso que se formara discretamente ainda durante o namoro. Em sua angústia pela falta de atenção, anunciou aos berros que se retirava — e vocês que se virem com as dívidas! Falou enquanto batia a porta.

Existem várias versões para o final dessa história. Em mais de 50% delas, segundo um estudo da Experian*, o casamento acaba. Sim, o dinheiro é o principal fator de conflito nos casamentos. Mas por que então quase ninguém fala sobre ele quando planeja se casar?

Muito tempo se emprega no planejamento da cerimônia, no vestido da noiva, na decoração da futura casa ou na lua-de-mel, e pouco, ou nada, é dedicado ao planejamento das finançasdo novo casal. Falar de dinheiro é difícil, principalmente se você não está acostumado a pensar sobre ele, ou se sempre tratou desse assunto sozinho. E se ele quiser que eu pare de comprar minhas roupas? E se ela tentar regular o que eu gasto? Tem muito pano pra manga nessa conversa, mas ela é mais do que necessária para a saúde da relação.

Se você acabou de casar ou está planejando juntar os trapos com alguém, comece agora a falar de dinheiro com seu parceiro e faça disso um hábito regular. Anote aí o que precisa fazer parte desse bate-papo:

- Decidam como vão lidar com o dinheiro: tudo o que ganham será de ambos? Cada um vai ajudar nas despesas comuns com um percentual do que ganha? Terão conta conjunta ou manterão tudo separado? Quando a conta é conjunta e o dinheiro, dos dois, fica mais fácil de administrar e vocês gastarão menos com taxas de banco (além de conseguir melhores condições em financiamentos, pois terão um montante maior investido). No entanto, nem todo mundo se sente confortável com essa situação. Antes de decidir, sugerimos a leitura do artigo sobre como reduzir taxas bancárias, que você pode acessar aqui.

- Quem vai pagar o que? Vocês precisarão controlar as receitas e despesas: relacionem quanto cada um ganha (acredite, a transparência vai evitar muitos conflitos). Quais são as despesas fixas (água, luz, aluguel, IPTU, plano de saúde, alimentação, e por aí vai), quais as despesas variáveis (remédios, roupas, novos eletrodomésticos…). Assim, ambos terão uma visão mais realista do montante que precisam para manter as contas em dia sem surpresas desagradáveis. Independente de terem suas contas unificadas ou não, determinar responsáveis pelo pagamento das contas fixas dentro dos prazos de pagamento é muito importante. Afinal, já diz o ditado: cão que tem dois donos morre de fome.

- Definam objetivos e metas para a família: aqui vale relacionar de tudo — viagens de férias, planos para a casa própria, filhos, compra do carro, aposentadoria. Conversem sobre os planos de cada um até chegar a um consenso (lembrando que consenso é quando o resultado fica bom para ambas as partes, não vale bater o pé e deixar as necessidades do outro de lado — às vezes é preciso abrir mão de algumas coisas para que o resultado final seja bom para ambos). De quanto vocês vão precisar para conseguir tudo isso e quando esse dinheiro tem que estar disponível?

- Poupem e façam investimentos conjuntos: quando já souberem o que querem conquistar e quando, comecem a pensar em poupar, definindo um valor mensal que deverá ser depositado logo no início do mês (para evitar a tentação, sabe como é, “dinheiro na mão é vendaval”). Avaliem também oportunidades de investimentos para multiplicar os valores poupados, sempre levando em conta se os objetivos do casal são para curto, médio ou longo prazo.

- Criem uma reserva de segurança. Assim que possível, definam uma quantia mensal que poderá ser depositada em uma conta poupança exclusiva para este fim ou utilizada em algum investimento mais conservador, para uso em eventuais imprevistos. Eles acontecem mais do que você imagina.

- Não esqueçam do lazer. Dinheiro para um jantar a dois, o cinema, um fim de semana com os amigos é muito importante. Reservem um pouco para estes momentos.

- Planejem a aposentadoria. Quanto antes melhor. A previdência pública vem sendo reformulada e é certo que ainda sofra alterações nos próximos anos. Melhor não ficar na mão dela. Avaliem alternativas de investimento em longo prazo ou, caso não se sintam confortáveis para cuidar disso, opções de previdência privada (mas veja que sempre é tempo de aprender o método Liivre e multiplicar o dinheiro sem depender tanto de terceiros).

Conversem sobre dinheiro com regularidade. Ao menos uma vez por mês, sentem para conversar sobre as finanças do casal. Analisem quanto gastaram no mês anterior, quais as despesas novas, como estão indo os investimentos, quais os desejos e expectativas de ambos em relação aos planos comuns. A transparência é a melhor forma de evitar conflitos e cultivar a felicidade no relacionamento.

*Fonte: Serasa Consumidor — www.serasaconsumidor.com.br