Nova Iguaçu x Nova Brasília

Me sentei no ônibus como quem senta no sofá de casa. Estava pensando nas mazelas da vida, até que me ocorreu alguns versos. Um verso e meio. Nada de papel e caneta. Nada. Minha capacidade de memorizar não é algo de que me orgulhe. Gostaria de imprimir coisas – sobretudo, poemas – em minha memória. Nunca fui boa com impressões. Também não costumo causar boas impressões. Mas isso é papo para outro café. Talvez dois.

Finalmente lembrei que dentro da sacola da papelaria, localizada no calçadão da cidade, havia uma caneta piloto para quadro branco. Foi com ela, e também com a nota fiscal, que pude então escrever o bendito verso e meio. A essa altura, eu já não gostava mais da composição do mesmo. O que não foge nada ao costume. Olhei pro lado e um par de olhos castanhos, acompanhados de um bigode grisalho me fitavam silenciosamente. Encarei um pouco e desisti. Eram olhos amargurados. Embolei a nota fiscal entre os dedos, e segui olhando pela janela. O encarador, no entanto, havia sacado um bloquinho, i-m-p-e-c-á-v-e-l, sem pautas e uma caneta azul sem tampa. Estava ele também escrevendo versos. Não só um verso e meio. Escrevia com muita maestria. Gostaria de tê-lo lido.

Meu ponto chegou e por pouco não passei.
Deveria ter passado.
Havia muito passado.