
No mês das mulheres, menos flores e mais respeito.
Mais uma vez o oito de março. O que esperar pra esses mês?
Empresas que felicitam as mulheres pelo seu dia mas negam direitos básicos como licença maternidade, intervalos para amamentação e evitam contratar mulheres porque elas se afastam mais vezes do trabalho pra cuidar dos filhos doentes, reuniões escolares ou pela necessidade de afastamento do trabalho quando ficam grávidas. Reclamam que as leis trabalhistas “beneficiam” demais as mulheres.
Todas as esferas de governo que fazem posts bonitinhos nas redes sociais pelo mês das mulheres mas não oferecem serviços básicos de saúde, como atendimento ginecológico e obstétrico. Um sistema que não investe em saúde reprodutiva, dificulta acesso a métodos contraceptivos e nega pra mulheres o direito de decisão sobre seus próprios corpos.
Hospitais particulares e planos de saúde que dão parabéns mas obrigam mulheres a se submeterem a cesarianas desnecessárias, negam atendimento pro parto normal e tratamentos pra vítimas de violência.
Pra todos os estabelecimentos que oferecem brindes pelo dia das mulheres mas no resto do ano permitem que suas funcionárias sejam moralmente assediadas. Redes de supermercados que oferecem café da manhã e rosas pras clientes enquanto as funcionárias são submetidas a jornadas de trabalho exaustivas.
Empresas de cosméticos que usam “empoderamento” como chavão pra alavancar as vendas aproveitando as discussões sobre feminismo mas continuam reforçando a ideia da “beleza necessária” e fazem gastar muito dinheiro com produtos desnecessários pra tentar chegar num padrão de beleza inatingível. A indústria da moda que considera plus size o tamanho 44 e só manda pra lojas até o tamanho 40.

Companheiros que dão flores no dia 8 de março mas no resto do ano exploram o trabalho da companheira fazendo com que tenham tripla jornada, trabalhando fora e cuidando sozinhas da casa e dos filhos e ainda acham que as mulheres devem ter o mesmo tempo de serviço dos homens pra aposentaria porque trabalham menos, em trabalhos “menos cansativos” e são “premiadas” com a aposentaria antecipada.
Emissoras de TVs, jornais, revistas que AMAM as mulheres desde que elas não ocupem nenhum cargo de destaque. Que fazem “vista grossa” pra estupro em reality show, que naturalizam todo tipo de abuso em telenovelas, que não dão espaço pra atrizes negras e que punem apresentadoras que “engordam” com o ostracismo.
Escolas que no mês de março homenageiam as professoras mas durante o ano não dão ouvidos as queixas de abusos das alunas, reservam pras meninas o papel de “se dar o respeito” e não incentivam as alunas a seguirem carreiras vistas como “masculinas”.
Os feministos que fazem grandes discursos sobre a origem do 8 de março e dizem apoiar a luta das mulheres (desde que eles concordem com as pautas).