Mulheres de mãos dadas: mural em Windhoek, Namibia Foto: Nações Unidas

O feminismo está nos detalhes

e está muito além de se dizer feminista, está acima de tudo naquilo que praticamos no dia-a-dia.

Sim, o feminismo está na moda e isso é ótimo, esperamos que permaneça por muito e muito tempo. São discussões válidas, que servem também pra desfazer algumas ideias erradas sobre o feminismo. Mas o que estamos fazendo com tudo isso no dia-a-dia? Qual a aplicabilidade de tudo isso que estamos discutindo?

Tenho observado que muitas mulheres se afastam ou negam o feminismo por acharem que é algo distante da sua realidade, como um saber elaborado demais, que se desenvolve nas altas discussões teóricas dentro das universidades. Sim, essas discussões existem, são essenciais, mas pra que servem todos os esses estudos se não pra melhorar a nossa vida enquanto “pessoas comuns”? Ninguém precisa ser especialista, pesquisadora, professora, pra praticar pequenos gestos que fortalecem as mulheres.

Um ponto que me acende uma luz de alerta é sobre a apropriação do feminismo pra estímulo do consumo. Palavras como “empoderamento” se tornaram lugar comum em empresas de cosméticos, quando buscar mostrar seus produtos como alavancadores de autoestima e por esse caminho empoderar mulheres. Não é por aí. Empoderar está muito além disso.

  • Compre de mulheres. Sabe aquela moça que faz artesanato? Aquela que faz docinhos e salgadinhos pra festas? Isso estimula a produção e independência de mulheres, que muitas vezes sustentam os filhos com essa renda. Gostou do trabalho delas? Indique para os amigos. Esse é o único meio que elas tem pra fazer propaganda.
  • É atuante no grupo de moradores da sua rua, seu condomínio, trabalho? Proponha um grupo de conversa de mulheres. Pode ser sobre assuntos cotidianos, sobre qualquer coisa que possibilite um espaço de convivência entre mulheres. Pode até ser um grupo de bordado, culinária. O que importa é o espaço de convivência e troca de experiências.
  • Leia obras de mulheres, leia os clássicos e dê espaço pra quem está produzindo hoje. Leia autoras independentes, indique pra outras pessoas.
  • Tem uma amiga mãe? Ofereça ajuda, pergunte se ela precisa de alguém pra ficar com a criança por algumas horas. Já vi experiências bacanas com grupos de mães que moram em condomínios se organizam e se revezam pra levar as crianças no play, ou uma fica com o filho da outra pra que ela possa dar uma “fugidinha” até um restaurante ou festa.
  • Una-se a outras mulheres, num ponto de ônibus ou pra atravessar um caminho perigoso. Não tenha vergonha de se oferecer pra seguir junto o mesmo caminho, não tenha vergonha de aceitar companhia. Conhecem o “Vamos juntas?”? Clique aqui e saiba mais sobre essa iniciativa.
  • Respeite outras mulheres. Acredite, cada uma tem seu tempo. Não adianta bater de frente com quem acha que feminismo é vitimismo, que feministas são mal amadas, etc. Ninguém é obrigada a abraçar quem profere xingamentos mas também não precisa pagar na mesma moeda, respire fundo e apenas a deixe. Não insista.
  • Lembre-se, o tempo e energia que você gasta discutindo com homens que não querem entender o feminismo pode ser empregado conversando com outras mulheres. Nós é que fazemos isso, nós somos as protagonistas.
  • Não se cale. Eu sei que é muito difícil reagir diante de uma situação de violência. Procure ajuda, denuncie. Existem canais de denúncias como Ligue 180 que podem te ajudar a procurar ajuda específica caso saiba de uma mulher que sofre violência.
  • Uma palavra gentil, de conforto, um elogio, pode ser a única coisa boa que uma mulher vai ouvir naquele dia.

Tem mais dicas ou conhece iniciativas legais?


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