A dieta ideal para a sua saúde pode estar escrita no seu DNA

Qual é melhor dieta para uma vida saudável? Mediterrânea? Low-carb?

Ou será que a pergunta correta seria: Qual é a dieta mais apropriada para cada um de nós?

Um estudo recente publicado na revista Genetics descobriu que camundongos que diferem geneticamente entre si apresentam respostas diferentes a uma mesma dieta. Além disso, não houve uma dieta única que resultasse em melhora da saúde em todas as linhagens de camundongos; ou seja, a dieta ideal depende da constituição genética do animal; o que funciona para um camundongo pode não funcionar para o camundongo da gaiola vizinha.

Os pesquisadores testaram quatro dietas com composição semelhante a dietas de humanos, inclusive três dietas consideradas ‘saudáveis’:

  • Dieta americana (elevado conteúdo de gordura e carboidratos refinados)
  • Dieta mediterrânea (com trigo e extrato de vinho tinto)
  • Dieta japonesa (com arroz e extrato de chá verde)
  • Dieta cetogênica ou low carb* (elevado teor de gordura e proteínas, baixo teor de carboidratos)

Além de um grupo controle alimentado com dieta padrão de camundongo.

Estas dietas foram oferecidas durante seis meses a quatro grupos de camundongos geneticamente distintos e em seguida os pesquisadores avaliaram diversos parâmetros comportamentais e fisiológicos a fim de avaliar o impacto da alimentação na saúde dos animais.

Como seria de se esperar, a dieta americana causou efeitos negativos à saúde das quatro linhagens de camundongos. Os animais que se alimentaram de dieta americana apresentaram, por exemplo, aumento da porcentagem de gordura corporal, do colesterol ruim e do teor de triglicerídeos no fígado; no entanto, a intensidade destes efeitos variou entre as diferentes linhagens de camundongos. Com relação às demais dietas, para cada linhagem de camundongo houve uma ou mais dietas que resultaram em benefícios para a saúde. No entanto, não houve uma dieta que beneficiou a saúde de todas as linhagens de camundongos. A dieta cetogênica, por exemplo, resultou em efeitos positivos em duas linhagens de camundongos e muito negativos nas outras duas linhagens, como obesidade, aumento da gordura no fígado e colesterol ruim elevado.

Será que o mesmo ocorre com seres humanos?

Tradicionalmente, pesquisas com modelos roedores são extremamente importantes em investigações preliminares e apontam caminhos promissores para estudos com seres humanos, os quais são mais complexos devido à influência de fatores ambientais e da variação genética entre os indivíduos. Claro que existem diferenças entre o metabolismo dos camundongos e o de seres humanos e que serão necessários estudos para determinar o quanto fatores genéticos influenciam a resposta de humanos à dieta. No entanto, observações anteriores com gêmeos idênticos sugerem um forte componente genético na determinação da resposta fisiológica à alimentação.

Se em humanos a resposta à dieta também exibir esta dependência genética, recomendações nutricionais personalizadas baseadas nas informações do nosso DNA poderiam ser utilizadas em terapias contra doenças metabólicas e resolver de uma vez por todas o velho dilema da dieta ideal.

*A dieta cetogênica que os pesquisadores utilizaram foi análoga à dieta consumida pela tribo Queniana Masai.

Artigo original: Improving metabolic health through precision dietetics in mice. Barrington et al., 2017, Genetics

Você pode ler o artigo original em inglês aqui: http://www.genetics.org/content/early/2017/11/20/genetics.117.300536.long


Originally published at pilulasdeciencia.wordpress.com on December 3, 2017.