Gotas

Está encharcada, com a chuva de momentos que se repetem na sua mente. Está ali, sentada no chão, de olhos fechados. Não está presa, só não quer andar, se revê no reflexo do orvalho, ela está diferente do que era, mas não ideal. Talvez nunca existiu realmente um ideal, tu ousaria dizer para uma gota de chuva que ela é inadequada para aquela nuvem? Ou para seu mundo? EU acho que é ousadia demais querer definir o ideal em meio ao irreal, e esse mundo tem estado com cheiro de irreal ultimamente.

Sente o perfume que está no ar? Ouve a música? Está tudo descompassado… são ritmos diferentes e simultâneos, tenta organizá-los mas não consegue… ela já abriu mão de reger essa orquestra da trilha sonora.

De repente passos no chão alagado podem ser ouvidos, ela abre os olhos mas não se move, não pode tocá-lo, não deve. Ele é o único que fez seu coração pulsar de novo, que faz borboletas azuis dançarem em seu estômago, que a trouxe de volta para seu pai. Ela se sente inocente, sozinha e talvez incoerente. Por isso aperta suas próprias mãos… até se avermelharem. Retrai seu coração até ser engolido. Como pode o único que traz o sentimentos de completamente certo, ser o único que não pode ser.

Empecilhos… Insegurança… Desejo ruim de permanência e abandono, dúvida cruel cuja resposta definiria comportamento. Ela se levanta, mas não caminha… Embora diga que não vai esperar mais por ninguém, ela continua parada em sua poça, esperando quem sabe um raio que sirva de resposta.

Tenta olhar pro céu moça e continue atrás da parede de vidro… por mais que te rasgue por dentro, melhor que ao quebrá-la rasgue a pele dele.