Antes-depois-aqui-e-agora
Divido e separo tudo o que eu fui anos atrás e o que eu sou agora. Tudo o que eu sentia enquanto eu tinha e sentia a depressão. O que eu aprendi enquanto vivenciava aquela doença tão escura e sombria. E o que eu consegui ver que enquanto todo aquele sentimento sufocante não sufocava mais, se tornava uma névoa e clareava mais a cada dia.
Talvez eu esteja errada, mas sinto que eu não aprenderia tanto se eu não a tivesse um dia. Não que alguém precise tê-la pra ver tudo que eu vi e vejo agora. Mas depois de viver num buraco escuro triste e confuso, a vista lá fora ficou muito mais incrível.
Viver é incrível, estar e se sentir viva nunca foi tão intenso depois que eu entendi tudo, ou talvez tudo o que eu precisava entender.
As pessoas já não me causam uma ansiedade que me engole. Os dias passam lento, passam rápido, passam como devem passar, e isso não me afeta.
Sinto o vento na minha cara de um jeito que não sentia antes. Escuto a mesma música várias vezes, e em cada uma delas, de um jeito diferente. Vejo o lado bom das coisas ruins, e entendo que mesmo assim, ela continua sendo ruim. Mas a vista daqui mudou tanto.
É a mesma casa. É a mesma música. O mesmo bairro. Pessoas novas e pessoas que já estão aqui há um bom tempo. E a vista é outra. É o mesmo corpo. O mesmo lugar. Mas agora eles me agradam.
A vista vai mudar com o tempo. Mas não quero me esquecer nunca de todas as vistas que eu já presenciei até agora.
Parecia longe, parecia distante e inalcançável e agora ela tá bem aqui na minha frente. Se sentir viva é a melhor vista de todas.
