Sobre a opinião dos outros


“É fácil cair na armadilha de ser muito crítico com você mesmo, de se questionar, de não conseguir reconhecer suas qualidades e seus feitos. E sabe, isso não é uma questão de modéstia nem de humildade. Você precisa reconhecer sua capacidade”.

Acabei de ler a frase acima em um post do Buzzfeed sobre saúde mental e pequenas coisas que podemos fazer para manter nossa rotina agradável e o cérebro minimamente são.

Minha intenção ao ler coisas a respeito é que defini como minha principal meta em 2017 ser mais saudável. Explico.

Sempre estive em guerra com a balança. Desde criança acima do peso, com histórico de hipertensão e diabetes na família, sem falar na alimentação louca que sempre tive: fazer poucas refeições durante o dia e comer muita ‘porcaria’. Não só os quilos a mais têm me incomodado, como um recente diagnóstico de ovários policísticos. Tudo interligado e, ás vésperas dos meus 22 anos, me vi uma bomba-relógio.

Então porque somente agora decidi me cuidar? Saúde, estética, modinha? “Mas você não é feminista, vai se dobrar aos padrões?”, já ouvi, para meu desgosto, mais de uma vez.

A verdade é que me sinto amadurecer todos os dias. E parte disso, thanks God, vem de amor-próprio. Pelo menos há uns bons 10 anos eu ouço “nossa, você tem o rosto bonito, porque não emagrece?!” e isso, sinceramente, sempre entrou em um ouvido e saiu no outro. Porque me olho no espelho e, de fato, me enxergo. Além das aparências (aquela que eu demonstro e a que os outro veem, devo ressaltar), além do que eu mesma sou capaz de reconhecer e explicar.

Mas pela primeira vez na vida me sinto doente. De verdade. Uma doença de dentro, somada a alguma outra mazela que pode ser diagnosticada por médicos em hospitais. E, segundo o que indicam as convenções sociais, eu deveria estar, no mínimo, bem: formanda em Jornalismo, emprego legal, pessoas legais, família linda… Mas não.

Não que eu ache que isso esteja diretamente ligado apenas ao meu peso, veja bem. Mas à situação como um todo. Se eu tenho tudo isso, porque sinto faltar alguma coisa? E por que, em nome de seja lá qual divindade que tem misericórdia de nós de vez em quando, isso está associado aos números que vejo numa balança? EU NÃO SEI. Na verdade, não faço ideia.

E é o que eu gostaria de dizer sobre a opinião dos outros: por mais que aparentemente ela não nos afete, vá lá, convivemos em sociedade. Burrice minha seria achar que, de alguma forma, tudo o que ouço-vejo-faço-sou ao longo do dia não fica entranhado no meu subconsciente, se acumulando para o dia seguinte, e o seguinte e o seguinte…

O que realmente quero compartilhar é: você precisa se (re)conhecer, se gostar, se aceitar, entender que somos todos diferentes, completamente, por mais parecidos que possamos ser. E que a opinião dos outros importa, sim, por que não? MAS, a sua importa mais! Lembre-se disso.