Unilateral

Tô aqui ‘falando’ aparentemente sozinha. Sinto que a web meio que nos traz um sentimento ambivalente: muitos amigos, conectados de diferentes formas e várias redes sociais, conversa no whats todo dia e, ao mesmo tempo, continuamos tão ou mais solitários do que quando não existia tanta tecnologia.

Pode até ser apatia minha, mas esse storytelling de vida perfeita de Instagram não cola comigo. Gosto mesmo é de mostrar minhas estranhezas e bizarrices. Meus gostos peculiares (às vezes nem tanto), mas as coisas que me tornam quem sou.

Enquanto escrevo, por exemplo, minha playlist passou de Hilary Duff para Kings of Leon. E é exatamente o que as pessoas não contam. Me parece que todos querem se igualar e não mais competir como pode parecer. No entanto, quem tem mais likes e seguidores não necessariamente é o mais querido do rolê. Já pensou nisso?

Geralmente, quando sigo alguém em redes sociais, essa pessoa precisa ter algo minimamente interessante. Gosto de fotografias, logo meus cliques seguem as mais bonitas. Gosto de livros e procuro grupos que gostam de discutir a respeito. E por aí vai.

Imagino que a maioria dos usuários de tecnologia faça isso. E, se não fazem, os algoritmos fazem por ele. Quem nunca comprou pela internet e foi obrigado a conviver com os anúncios do produto na timeline?

E é aqui que chego onde queria: nos tornamos mercadorias na web e não simples usuários. O ‘girls just wanna have fun’ acabou faz tempo. Óbvio que tudo tem um propósito, principalmente, se pode gerar lucro. E isso não é papinho de socialista como você pode estar pensando. Todos somos assim.

O que quero dizer é que o interesse torna todo tipo de relação muito mais unilateral do que recíproca. Entende? As expectativas que depositamos em uma pessoa, numa situação, no quer que seja, torna-se um fardo. Para nós e para o outro. Postamos esperando curtidas. Escrevemos esperando leitores. Pensamos esperando quem se identifique com nossos devaneios.

Mas já dizia Zygmunt Bauman: Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte.