Como eu vim parar aqui…

(se é que isso tem alguma relevância)

Eu, acostumada a escrever em um blog de anos, mas sem a mínima capacidade criativa de continuar lá, caio de paraquedas aqui e descubro um universo cheio de letras e histórias.

O modo como vim parar aqui é um tanto psicótico eu sei, o que não é nada mal para alguém que finge sanidade o tempo todo. O que tenho a dizer em minha defesa é que meu olhar nunca passa batido e quê, na maioria das vezes, estou mais interessada do que consigo demonstrar. Não é a estratégia mais brilhante, mas é o que a casa oferece.

Sou, antes de qualquer coisa, uma apaixonada por pessoas, e foi justamente uma dessas paixões que — sem querer — me trouxe até aqui.

A primeira vez que vi, ele estava de costas e percebi que tinha as pernas cambotas. Ele, obviamente não me viu, nem se quer notou meu olhar desinteressado, mas por força do destino acabamos nos cruzando outras tantas vezes. Em algum momento ele perceberia, e se eu ajudasse, perceberia mais rápido. E é claro que ajudei, mas antes que a gente pudesse se apresentar de fato, a vida tratou de intervir novamente. O tempo passou e eu continuei acompanhando a vida dele a uma distância segura, que me deixava mais curiosa, mas que também era um obstáculo para que a gente se conhecesse.

De longe acabei descobrindo que ele era mais inteligente do que eu imaginava e que tinha um lado meio romântico, beirando a melancolia, tão parecido comigo. O que só contribuiu para aumentar ainda mais o interesse. Das coisas que eu sei — só sei o que ele quer que os outros saibam: que ele é inteligente, que escreve muito bem, que gosta de ler, que é esforçado, que tem uma boa família, que entende de números, que tem um gosto musical relevante, que torcemos para o mesmo time e que seria uma ótima companhia para sentar em frente ao mar e falar sobre os mistérios da vida.

E se a vida continua enrolando o nosso encontro, que pelos meus cálculos já está atrasado há mais de um ano, novamente eu resolvo dar um pequeno e sutil empurrão, para que o destino faça o restante. Não tenho grandes expectativas, apenas queria sentir de perto, descobrir se o timbre da voz dele combina com o meu ouvido, se o cheiro que ele tem agrada o meu nariz, ou ainda se as cicatrizes dele se parecem com as minhas. Em suma, se é possível existir vida dentro de corações que já se partiram.

O resultado disso tudo eu não tenho como saber, mas certamente renderá bons textos com declarações tão nítidas nas entrelinhas que só poderiam ser lidas e interpretadas por alguém com a sensibilidade que ele tem de enxergar além do óbvio.

Enquanto isso não acontece, sigo aqui imaginando quem é você de verdade?