Quando o fim não é fim, é meio…

Perdi você e junto você levou a minha sanidade. Não tinha mais jeito, não aguentava mais ver as minhas amigas revirando os olhos cada vez que eu pronunciava o teu nome. Primeiro parei de falar para os outros e depois de um tempo comecei a esquecer algumas partes da nossa história. Hoje já não lembro de quase nada. E acredite, foi a melhor coisa que me aconteceu.

O término do amor não acontece de um dia para o outro. Seria maravilhoso se assim fosse, mas na vida real as coisas são mais longas e demoradas do que gostaríamos.

Primeiro a gente precisa aceitar e viver o fim, e isso inclui chorar para os mais próximos, maldizer o(a) fdp que nos deixou naquela situação, rogar mil pragas para que ele(a) nunca mais encontre alguém tão legal quanto a gente, monitorar os passos nas redes sociais e perder muitas madrugadas tentando entender como aquele amor eterno até ontem se perdeu e acabou virando só o pó hoje.

Eu já tive alguns fins e todos eles foram exatamente iguais. Isso se deve ao fato de eu só namorar quando estou realmente envolvida. Então as minhas quedas nunca são leves. É sempre um caos, como um acidente de avião: muito barulho, muito estrago, seguido de um longo silêncio e de uma jornada maior ainda de recuperação. Eu, dramática que sou, vivo o sentimento até o fim. Vivo o luto. Me fecho pro mundo. Repasso todos os diálogos tentando descobrir uma resposta nova e diferente do que já me é óbvio, porém inadmissível: acabou porque o amor também acaba.

Sempre admirei aqueles que seguem em frente como quem nada sentem, mas desconfio que chorem escondidos, provavelmente no banho que é para enganar a mente das lágrimas que insistem em cair. Eu não consigo (apesar de ser orgulhosa, de não correr atrás e respeitar a decisão do outro) sofro, e como sofro.

Acho importante viver cada fase de um relacionamento, e isso também inclui o fim. Se fugirmos do sentimento, certamente ele nos encontrará virando a esquina, talvez até já com outro ocupando o espaço e pagando os pecados das coisas mal resolvidas que deixamos no meio do caminho. É preciso entender que nenhuma resposta vem a jato, que algumas questões só serão compreendidas possivelmente anos mais tarde, num dia sem importância quando a gente já nem lembra mais da pergunta. E é nesse momento que a gente descobre que sofreu, chorou, se descabelou, por pouco, muito pouco ou quase nada.

A verdade é que a gente evolui, muda, amadurece e entende que a vida sempre segue o seu próprio fluxo, mesmo que a gente insista em permanecer parado.

Dos meus términos aprendi que o tempo cura as feridas, leva o que te faz mal, traz outras tantas coisas que você nunca imaginou viver e te faz entender que tudo que acontece tem o seu tempo certo, tudo que acontece está certo, mesmo que não seja do jeito que a gente gostaria. O fim te prepara pra vida, pro novo, até pro próximo. Talvez nem deveria se chamar fim, e sim meio. O meio de crescer, o meio de saber fazer boas escolhas, o meio de se tornar aquilo que você planejou a vida inteira. O meio de fazer todo o resto da sua vida dar certo.

Aceitar o fim, viver o fim, curar as feridas, ficar um tempo sozinho, repensar no que você quer e espera (de si mesmo e do outro), redescobrir-se (principalmente quando o relacionamento é longo), voltar a viver aos poucos, e por fim se curar. Pode até parecer chato e demorado, mas é essencial para não nos tornarmos metralhadoras cheias de mágoas distribuindo tiros para todos os lados. Se todo mundo se curasse antes de entrar em um novo relacionamento, teríamos menos corações partidos e mais amor de verdade no mundo. Só acho!