Os filmes da minha vida (até agora)

No início desse ano letivo um professor mandou um questionário para conhecer melhor os alunos, e uma das perguntas era: “qual o filme que fez você querer fazer Audiovisual?” (ou algo parecido). Na hora eu tinha a resposta na ponta da língua, mas depois, parando para pensar, eu percebi que não foi só um filme que fez eu querer isso da minha vida. Foi uma junção de vários filmes, e não só isso. Séries, videoclipes, tudo isso entra aí também. Mas foco nos filmes. Existe realmente uma grande quantidade de filmes que depois de assistir me deu aquela sensação de “eu quero fazer algo assim quando crescer!”, e essa lista que eu fiz abrange alguns deles. Claro que como os filmes não param de ser lançados e ainda existe muita (mas muita) coisa que eu não vi ainda, certamente essa lista estará transformando-se constantemente. Mas até hoje, dia 30 de abril de 2016, esses podem ser considerados os principais filmes da minha vida, por assim dizer, e sem uma ordem específica.

1. Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream, Darren Aronofsky, 2000)

O primeiro filme do Aronofsky que eu assisti e o primeiro que eu lembro que me deixou com uma sensação incômoda na boca do estômago. Eu não estava preparada para a porrada na cara que Réquiem ia me dar, e olha, me derrubou de verdade. Passei vários dias pensando sobre tudo o que tinha visto, e no dia em que assisti foi até difícil dormir. Não digo isso pra afugentar ninguém ou pra desistir de assistir o filme, muito pelo contrário. Aronofsky expõe tão bem a questão do vício e da obsessão que a gente consegue sentir uma empatia pelos personagens. Entendemos o que eles estão passando, sofremos junto com eles, somos envolvidos por suas histórias e quando nos deparamos, estamos imersos naquele mundo junto com eles. É uma experiência forte, incômoda e de certo modo até violenta, mas que deve ser passada. A trama psicológica de Réquiem é uma das melhores de Aronofsky, se não a melhor.

2. 2001: Uma Odisseia no Espaço (2001: A Space Odyssey, Stanley Kubrick, 1968)

Como uma admiradora de ficção científica, 2001 não poderia estar de fora da minha lista. Nos quesitos de produção acredito que esse é o filme que eu realmente mais admiro, por ser extremamente inovador. Quem iria imaginar que, já na década de 60, surgiria um filme com efeitos tão surpreendentes e uma produção tão grandiosa e avançada? 2001 é considerado um filme “à frente de seu tempo” e extremamente influente (já perdi a conta de quantos clipes, filmes e afins inspirados em 2001 eu já vi) e com muita razão. Foi uma obra que quebrou paradigmas, e até hoje tem uma incrível relevância. E não é um filme que te prende só pela grandiosidade de sua produção e seus efeitos, o enredo também tem seu destaque. Acho que é o filme mais antigo que eu já vi abordando o tema homem x inteligência artificial, e no decorrer da história fica o questionamento dos limites de Hal, do que este computador é capaz e como Dave responderá às suas atitudes. Definitivamente um filme que todo mundo deveria ver pelo menos uma vez na vida.

3. Viver a Vida (Vivre sa vie: Film en douze tableaux, Jean-Luc Godard, 1962)

Ano passado eu vi muitos filmes do Godard, muitos mesmo. Por mais que eu tenha me encantado com Pierrot le fou, me perdido na loucura de Week-end e escrito um trabalho de 10 páginas sobre Alphaville, nenhum filme me chamou tanto a atenção quanto Viver a Vida. É o filme mais sublime da extensa filmografia do diretor, com a fotografia impecável de Raoul Coutard e com passagens emblemáticas como a conversa de Nana com um filósofo. À maneira godardiana, existem diversas referências à história do cinema (inclusive com a presença de cenas de A Paixão de Joana D’Arc, clássico de Carl Theodor Dreyer), à literatura e às diversas formas de arte, tudo isso usado com maestria para contar a história de Nana em 12 episódios. Isso sem contar os belíssimos primeiros planos de Anna Karina. ♥

4. Os Incompreendidos (Les quatre cents coups, François Truffaut, 1959)

Sim, continuamos na nouvelle vague e agora com um dos primeiros filmes que iniciaram o movimento. Ainda no ano passado, após começar a ver os filmes de Godard, achei que seria uma boa ideia conhecer pelo menos mais um diretor que fez parte do movimento. O escolhido foi o Truffaut, que possui uma visão diferente de Godard. Seus filmes exploram com mais detalhes as relações entre os personagens, quem eles são, o que fazem, por aí vai, tudo isso por meio de histórias aparentemente simples. E Os Incompreendidos é exatamente isso! É o primeiro dos filmes que contam a história de Antoine Doinel, e é o mais sensível e singelo de todos eles. É um longa de fácil identificação, em que facilmente sentimos empatia pelo personagem, apesar de tudo. E a cena final? Ah, a cena final…

5. Na Natureza Selvagem (Into the Wild, Sean Penn, 2007)

Acho que da lista inteira esse é o filme que eu sinto uma maior identificação pessoal. Não literalmente falando, pois largar tudo e ir para o Alasca não está exatamente nos meus planos, mas o sentimento por trás disso é o motivo de tamanha identificação. Talvez seja um filme que está aqui mais por causa disso do que por qualquer outra coisa. Claro que a trilha sonora de Eddie Vedder é maravilhosa também e é uma adaptação boa do livro de Jon Kracauer, mas não foi isso que me fez realmente amar o filme (apesar de terem ajudado). Quanto ao fato de ser dirigido pelo Sean Penn… Melhor me abster de comentários.

6. Cidadão Kane (Citizen Kane, Orson Welles, 1941)

Quando eu assisti Cidadão Kane pela primeira vez eu não tinha ideia do quão versátil e inovador era Orson Welles. Ele não era apenas um diretor, era ator (inclusive é ele que faz o papel do protagonista Charles Foster Kane), roteirista, fez programas de rádio, peças de teatro e deve ter muito mais coisas aí na lista que eu nem sei. Mas essa não é a questão. Cidadão Kane, tecnicamente, é um dos filmes mais — com o perdão da palavra — perfeitos que eu já vi. Os enquadramentos e acredito que até a iluminação eram ousados para a época, assim resultando em um belíssimo trabalho de fotografia. Seu roteiro é muito bem construído e também é ousado, de certa forma, pois ao invés de trazer uma biografia do magnata Kane de um modo convencional, Welles o faz através de uma investigação jornalística. Cidadão Kane é mais um daqueles filmes que todo mundo deveria ver pelo menos uma vez na vida.

7. Psicose (Psycho, Alfred Hitchcock, 1960)

Não tinha como eu deixar o mestre do suspense de fora, né? Ainda mais Psicose, o filme com um dos finais mais surpreendentes que eu já vi. É até difícil achar as palavras certas para falar algo desse longa de forma decente, mas só com esse filme já é possível entender porque o Hitchcock é considerado um dos maiores diretores da história do cinema. O roteiro é excepcional e eu nem preciso falar da famosa cena do chuveiro, claro. E só para não repetir as mesmas palavras que escrevi para Cidadão Kane e 2001 (mas mesmo assim praticamente repetindo), mais um dos filmes obrigatórios. Clássico dos clássicos.


Originally published at emoutraspalavras.wordpress.com on April 30, 2016.

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