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La Vérité de Jules Joseph Lefebvre

Será que é possível deixar a máquina, escapar do sistema, sair da caixa?

Aparam-se as arestas nos quatro cantos. Enquanto desvalidos digitais ficam à margem por ignorância, entendedores se recolhem nas sombras por conveniência, as histórias ficam pelo meio do caminho na obsolescência programada. Pop-ups e malwares vão transbordando pra vida real tanto quanto o espelho vai se derretendo e se misturando à mão de um novo salvador, como num mashup de ficções científicas.

Não há possibilidade de mediação, é a guerra das máquinas — e as máquinas, no caso, somos nós. Repetindo argumentos em loop, narrativas desbotadas em um faroeste caboclo. Setores de memórias corrompidas, bad cluster, fuck. Estamos todos esclerosados. Dando tilt quando as coisas saem do lugar — se é que as coisas tem um lugar, em primeiro lugar.

Quero comprar mais caixas, fazer barulho, pisar mais fundo, escorregar para o esquecimento, num alienamento, voluntário. Algo entre nostalgia e uma saudade estranha das coisas que não tenho, a maioria das quais jamais poderei tocar, porque são imateriais, de um juízo de valor afetivo, imaginárias, quase. Porcas rimas de um latim parco, que mal me seguram no lugar, gastando tempo e motivação, alheios e próprios.

Sair da linha e pisar o chão — deixar as caixas para os sapatos, os pentes empoeirados, as lâminas enferrujadas — os sopros, repassados. Talvez o gato não morra por curiosidade mas, sim, de tédio.

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