Considerações na praça

Após uma decepção quase imperceptível aos que olham de fora, pueril e infundada aos olhos dos que sabem do ocorrido. Resolvi me sentar no banco da praça assim como faziam os antigos para observar -quando digo os antigos não me refiro aos velhos os que viveram antes em outras épocas mas aqueles que não se deixam levar pelos cânones de cada época e vivem imunes e alheios a porcaria da moderna.

Aqui em meio aos Pombos, aos senhores que jogam xadrez, a um ou outro casal de namorados e muitas pessoas que estão voltando do trabalho, fatigados e aliviados além dos que saíram às compras e os que saíram para andar à toa. Alguns esperam ônibus outros fumam e eu espero que rapaz do banco ao lado que está sentado se levante, estou no sol. É bem verdade que a intervalos de sombras, mas o sol não perdoa.
Passa o pipoqueiro já velhinho, um homem enche um balde no chafariz, o sorveteiro está cansado e assim a vida anda.

Poderíamos discorrer sobre a estética da praça, não é um lugar ímpar, entretanto tem sua beleza. É agradável estar aqui observando o vento balançar a Copa das árvores e o sentido em meu corpo. Ouvir o barulho dos pássaros ou melhor dos pombos, e das Folhas no Chão. Uma vez por outra é silenciado pelos carros e ônibus.

Todavia acho mais interessante pensar sobre algo um tanto mais leve e inútil, qual a importância de momentos como esse para personagens distintos de um tempo e cultura diferentes. Como por exemplo seria o efeito de um momento destes para um contemporâneo de Machado de Assis ou Lima Barreto, os quais observavam de maneiras sensacionais os detalhes sensoriais da época e os sentimentos mais íntimos do indivíduo.

Uma praça com todos esses elementos seria um purgatório para o Brás Cubas depois de sair de uma casa que não era sua, depois de deitar-se numa cama estranha e amar uma mulher que não possuía. Eu não quero saber da consciência moral do Senhor Cubas, ele já tem como pena a indiferença tão tangível, que até no velório foi ignorado.

Para o major Quaresma este seria o momento de descobrir mais brasilidades e inflar o ego pronunciando em alta voz o Tupi ou tocando um violão, gozado, para época ele seriam mal exemplo, mas quem disse que o julgamento Popular sabe alguma coisa? Se falam alguma coisa as massas, as maiorias e minorias, são tão inúteis que não servem nem para minha preocupação. Como o Major, o indivíduo mais livre é aquele que não tem medo de ser ridicularizado.

Fico feliz com o número de pessoas que vejo fumando, talvez a sociedade esteja tão esfacelada pela eliminação das coisas que outrora faziam do homem livre e feliz. Maldito Politicamente correto.

E como seria para o homem moderno este instante na praça? Penso que a ideia lhe parece uma sandice, uma perda de tempo.

Tantas coisas poderiam ser feita e tanto lucro recolhido, tanta revolução começada e ele ali perdendo tempo com abstração pueril. A grande verdade sobre o homem moderno é que este é um ser frustrado, um ser infeliz. Em guerra contra si mesmo.

Geração ferrada, escarnece dos grandes e exalta os débeis. O império de loucos o que fizeram com os homens? Onde esconderam os elementos essenciais para uma civilização? É tão difícil responder, uma vez que tudo o que eu disser será tido como lunático.

Gozado, o mundo com equilibrados e corretos está essa porcaria.

Será que não invertemos as caracterizações? A mim, estar na praça é estar na realidade, pelo sensorial e pela abstração, e colher frutos inenarráveis, pois nem são idealizados em nossa época. É ser mais humano. Considere como quiser, alegoria, melancolia , enfim são minhas considerações.