Nos chamam de “Defensores dos Direitos dos Bandidos” por defendermos a aplicação dos direitos humanos para todos (do cidadão “de bem” até o bandido). Se essa for a denominação para a turma dos Direitos Humanos, então, eu aceito a alcunha.
A verdade é que sem os “Direitos dos Bandidos”, muita gente teria o seu direito básico negado. Dizem que a aplicação só serve para quem pratica algo de ruim e depois sofre as conseqüências de uma população revoltada e sem educação, como o menino de 15 anos que foi acorrentado pelo pescoço, nu, em um poste.
É engraçado que esses “justiceiros”, provavelmente inspirados pelo espírito dos protestos, passaram a agir atacando quem pode ser atacado, sem (teoricamente) ter como se defender. Não vi, por exemplo, nenhum grupo de “justiceiros” querendo entrar em Brasília e colocar algum político corrupto acorrentado e nu em algum poste.
Quando, por exemplo, você reclamar que não te tratam direito por que você é mulher, por que você é negro ou por que você é gay, lembre-se que, você sempre recorrerá aos seus direitos. Direitos esses também chamados de humanos. E, olha que coincidência, os direitos humanos sendo aplicado para você, que tanto reclamara sobre a aplicação dos direitos para “bandidos”.
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.
Creio que no Brasil está faltando “razão e consciência”. E espírito de fraternidade nunca houve, principalmente para o lado mais pobre e mais propício ao destino “negativo”.
Mas parece que aqui, na África, no Irã e nos países de predominância muçulmana, nem todos nascem iguais em dignidade e direitos.
Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
E ninguém, ninguém, tem o direito de tirar a vida de uma pessoa. O bandido não tem esse direito, mas nós também não temos. Se ele o fez, ele deve pagar por esse crime. Se ele não o fez ou não foi provado, quem somos nós para provarmos? Ao invés de matar o bandido, por que não foi testemunha, já que você tem tanta certeza que ele matou?
Todas as pessoas tem direito à liberdade, até mesmo aquelas que estão presas. Veja o exemplo de outros países. Nos locais em que o sistema carcerário é bem mais aberto, a probabilidade de um preso voltar é bem pequena. Não é que no Brasil exista impunidade, é que no Brasil não existe ressocialização. Você entra na cadeia como um mero ladrãozinho e sai como assassino, estuprador.
Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
É incrível como a Declaração pode ser aplicada tanto para “bandidos” como para os “cidadão de bem”. Quando ocorreram os protestos no Brasil e a polícia agiu com truculência, nós, os idiotas dos Direitos Humanos, denunciamos. Lutamos contra essa forma violenta e ditatórial de agir.
No entanto, quando aplicamos a mesma idéia para bandidos, como o menino de 15 anos, somos taxados de hipócritas ou, pior, nos recomendam “adotar um bandido”, como disse a jornalista do SBT. Acontece o seguinte, Rachel, você descobriu uma das minhas metas! Eu pretendo sim, criar uma casa para servir como uma espécie de “presídio”, sem ser de segurança máxima e voltado para criminosos de baixa e média periculosidade. Pois sei que, independentemente do meu conhecimento psicológico e sociológico, a chance dos presidiários dessa minha instituição saírem de lá ressocializados é muito grande.
Entretanto, a jornalista parece não ter conhecimento de como andam as nossas prisões. Em locais que dariam 3.000 pessoas temos 30.000. Isso tudo poderia ser resolvido com uns R$2 bi. O governo prefere gastar esse dinheiro onde? Ah… eu poderia falar na copa, mas não. Preferem gastar mesmo é na corrupção. R$50 bi são gastos por ano com corrupção. Agora, eu me pergunto, se bandido bom é bandido morto, que tal começar matando quem gasta o seu dinheiro? Ou você acha que esse dinheiro usado na corrupção vem do céu?
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Vamos ver… Primeiro temos o caso do adolescente que cometia furtos na região. Outro foi linchado por que roubou comida. Outro foi executado em plena luz do dia.
Sinceramente, eu só tive coragem de ver o vídeo agora. E na primeira vez que reproduzi, meu sangue subiu. Na segunda vez, eu dei um murro na parede e fechei o vídeo. Eu me revolto com isso, me revolto em tratarmos os outros como animais. Me revolto ao ver o homem tentar se defender, enquanto seu cérebro estoura. Se você acha isso “interessante” de ser visto, você é tão criminoso quanto eles. Você é tão criminoso quanto o cara que matou o outro.
Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.
Leia bem a parte em julgamento público, no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
Vemos várias pessoas sendo detidas e aguardando julgamento em penitenciárias que só fazem a pessoa sair mais revoltada. Inocentes presos que saem de lá bandidos, pelo simples fato de que, não é possível, de forma alguma, se ressocializar.
Meu grande amigo, detido por um mês em um presídio, disse que lá era o pior lugar que ele já tinha passado. Vale lembrar, para quem não acompanhou o caso, que ele foi detido por assassinato. No entanto, 8 testemunhas estão a favor dele e nenhuma contra. E eu aposto minha vida, que ele não cometeu o crime. E defendo o direito dele até a morte.
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.
Mas vamos ver, é exatamente isso que os que nos chamam de “Defensores dos Direitos dos Bandidos” estão fazendo.
Quando luto por uma sociedade mais justa, luto para que homossexuais sejam completamente aceito pela população, luto por todos os direitos LGBT, assim como pelos direitos de igualdade das mulheres, negros, índios e estrangeiros (somos um país xenófobo). Quando lutamos por esses direitos, somos elogiados pela população LGBT, pelas mulheres, pelos negros, índios, estrangeiros, pobres, etc.
No entanto, quando lutamos pelos direitos dos criminosos, somos chamados por essas minorias de defensores dos bandidos!
Estamos usando, no entanto, as mesmas defesas que fazemos com vocês com os bandidos. Luto por um mundo melhor e, não me importa se você é negro, branco, amarelo ou azul. Não me importo se você é homem, mulher, transsexual ou assexuado. Nem me importo se você nunca matou um pernilongo ou se você já foi condenado e preso por homicídio. Para mim, somos todos humanos, independentemente das ações que cometemos. Todos temos direito aos mesmos direitos.
E sempre falam: “espero que um dia você seja roubado, estuprado, sequestrado ou morto, por aqueles que você defende”. E minha resposta e atitude será sempre:
Eu defenderei até a morte (e mesmo que seja por um “bandido” que defendi) os Direitos Humanos. Pelo menos morrerei defendendo aquilo que acreditei que faria (e fará) o mundo melhor.
Diferentemente de vocês, que lutam para tornar o mundo, um local de raiva, de vingança e de ódio.
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