LIMBO 001 | ARCO E REZA — A Luta pela Terra e as Ocupações Gurani-Kaiowá

Em outubro de 2012, uma carta aberta assinada por um grupo de índios da etnia Guarani-Kaiowá mostrou ao país o desespero de um povo em vias de despejo. A partir desta data, o lamento da comunidade Pyelito-Kue (próxima ao município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul), composta por cerca de 150 pessoas, chamou atenção em redes sociais, especialmente no Facebook, com simpatizantes da causa, que naquele momento adotaram o sobrenome Guarani-Kaiowá como identificação em seus perfis. O destaque para o grupo indígena durou pouco, a miséria e incerteza de moradia, entretanto, se mantêm. Ao longo de 2015, os sete territórios indígenas que correspondem às comunidades Apyka’i, Guraviry, Ñande Ru Marangatu, Kurusu Amba, Potrero Guasu, Guyra Kamby e a própria Pyelito-Kue receberam ou permaneceram sob ordem de despejo no Mato Grosso do Sul, em áreas ao sul do Estado, a poucos quilômetros da fronteira com o Paraguai. Hoje, esses grupos aguardam processos de reintegração de posse — muitas vezes sangrentos -, armados essencialmente de seus corpos, flechas e rezas tradicionais. Outros, mesmo alinhados às decisões judiciais e dentro de reservas, temem o futuro incerto que se constrói em um presente marcado por assassinatos, suicídios e abusos sexuais.

Em análise na câmara, o Projeto de Emenda Constitucional 215 pode piorar a situação. Se aprovado, ele retira do Poder Executivo a autonomia de demarcação de terras indicadas pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e os transfere para o Congresso Nacional. A partir da medida, índios temem que a bancada ruralista presente no Poder Legislativo se torne responsável pelo destino de todas as comunidades tradicionais que aguardam a homologação de seus territórios desde a Constituição Federal de 1988.


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