PASSADO — 2/365

Vivo sem inspiração para tudo, por isso tanto receio de começar esse “projeto”. Minha dúvida era saber se teria assunto para 365 dias, aliás, essa ainda é uma dúvida, mas hoje, depois de um longo processo, encontrei algo para falar, e o assunto é: ontem.

Na verdade, não é exatamente sobre o dia de ontem, é mais sobre a dificuldade (que pelo menos eu tenho) de me desapegar do passado. Não estou falando de roupas, objetos, fotos, estou falando de coisa mais profundo, sentimento, memórias e até mesmo rancor.

Ás vezes me pego olhando o perfil daquele ficantezinho antigo, com aquele velho pensamento de “será que terei alguém melhor”. Me pego com raiva daquela briguinha de 2008 com o parente de outra cidade e até mesmo pensando no porque não dei o meu melhor naquela tarefa ou oportunidade que tive.

Acontece que por mais que o tempo passe sinto que sou muito imutável, carrego o “vida que segue” como lema, mas no fundo tudo que eu quero é que aquele antigo ficante me mande uma mensagem dizendo que sou o amor da vida dele.

Dizem ser impossível seguir em frente olhando para trás, e eu realmente acredito que seja muito difícil andar de costas, mas da mesma forma, pelo menos para mim, é difícil fazer as pazes com o que passou.

Não é tão simples perdoar, admitir um erro, aceitar que não tem volta, mas é necessário. Não tem como começar outra história sem um ponto final (e caso eu esteja errado sobre essa frase, peço perdão a minha professora de português).

Lidar com o passado é como lutar contra a Hidra de Lerna: você acaba com uma cabeça e outras duas aparecem, e a única forma de acabar com elas é fazer com que o corte se cicatrize.

Não sou Héracles, muito menos Percy Jackson, mas confesso que não posso deixar que nada me envenene, e a única forma de fazer isso é reagindo. É difícil, mas necessário.

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