colagem feita a partir de pesquisa da palavra selfie no Google
Alinne Rezende
Aug 27 · 2 min read

Sabe aquele famoso e velho déjà vu? Sim déjà vu! Aquela sensação de que já viu aquilo antes. Na era pós-digital, onde todos nós somos imagens correndo atrás de imagens, onde postamos cerca de 1,8 billhões de imagens por dia nas redes sociais, é claro que a repetibilidade está intrínseca. Mas qual será a consequência dessa repetitividade na linguagem visual?

Uma forma quando submetida a uma repetição interminável leva ao “tédio”. Essa repetição que vai de um momento ao outro, acarretando o esquecimento. A forma se dissolve na repetição. As imagens aparecem na tela uma atrás da outra em uma velocidade voraz e o próprio produtor de imagens passa a ser mais supérfluo devido à automatização do aparelho que produz, reproduz e distribui essas imagens. É justamente essa repetição infinita que leva necessariamente ao esquecimento.


Uma forma quando submetida a uma repetição interminável leva ao “tédio”.


A fotografia passa de representação do mundo real para a representação do mundo da visualização. A imaginação é a habilidade de separar-se do ambiente e criar uma imagem dele, enquanto visualização refere à habilidade de transformar um enxame de possibilidades em uma imagem. O ser humano é o único animal que precisa criar símbolos para diminuir a distância entre ele próprio e o mundo, ele precisa atribuir ao “mundo” um significado.

Populares, os “selfies” são um exemplo claro da necessidade de auto-afirmação do indivíduo perante as redes sociais, assim como o são, de repetibilidade . O nível do criticismo é reduzido ao mínimo, muitas vezes, essa imagem provinda da tela, não foi transmitida com um engajamento político ou estético, ou seja, apenas como um índice de significados superficiais.

Ainda não sabemos, quais serão as consequências provindas dessa repetibilidade excessiva, enquanto isso ainda esperamos a (re)evolução da linguagem fotográfica. Quando deixaremos de copiar os símbolos ou agregá-lôs em nossos índices, com um conteúdo razo, seguindo os patrões estéticos superficialmente apenas com intuíto de inserção social? Quando deixaremos de retratar pessoas como objetos e transformá-las em pessoas projetistas de significados? Quando deixaremos de consumir imagens por osmose sem cairmos no esquecimento? Cabe sabermos de onde virá a revolução, já que o oposto da vida não é a morte, e sim, a repetição.


Texto publicado originalmente no blog da Revista Old — http://revistaold.com/blog/fotografia-e-a-repetibilidade-na-era-pos-digital/

Alinne Rezende

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brazilian visual storyteller📷 documentary http://alinnerezende.com ✉️ ola@alinnerezende.com

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