O alimento da alma

Gastronomia: da cozinha de lá para a cozinha de cá

Estava desde a semana passada pensando qual seria a pauta dos posts dessa semana. Com um dia de atraso, vi que hoje já era quarta. E quarta-feira me lembra que é dia de fazer feira. Tem um bem em frente na rua de casa, me chamando da janela toda semana com pastel e caldo de cana. E pensei comigo? Por que não estrear o post da coluna de Economia Criativa por nada mais nada menos que comida, paixão nacional?

Porque comida é essencial, desde que nos conhecemos por gente. De vilã a mocinha, a comida está nos acompanhando em reuniões de negócio, na merenda da escola, nos encontros de família e amigos, e até nos momentos de ansiedade (malditos doces).

Mas a comida, como a conhecemos hoje virou também o alimento da alma. Tranquiliza, emociona, acalma, desperta os sentidos, nos faz felizes. A comida passou de papel coadjuvante a atriz principal: nunca tivemos um cenário gastronômico mundial tão em destaque na mídia com programas de TV de chefs renomados e celebridades, reality shows de cozinheiros amadores, cupcakes e bolos, empreendedores abrindo seus negócios gastronômicos e até mesmo programa de receitas feitas por um grupo de homens (para a nossa alregia, é claro!).

Homens Gourmet, do canal Fox Life.

Dentre tanto glamour, é fácil encontrar empresários ou mesmo jovens profissionais que trocaram suas carreiras de executivo por aventais de cozinha. Food trucks e mercados gastronômicos são um belo exemplo do boom do setor, que cresceram amparadas a lei de comida de rua, e a praticidade de comer fora de casa, além da recente onda de “gourmetização”, que estão reinventando quitutes e pratos populares como a coxinha de frango e o brigadeiro.

O mercado

Mas nem tudo são flores. Para adentrar o caminho da gastronomia, não basta apenas querer ser chef. É preciso ralar (literalmente, muita cenoura, pepino, beterraba) antes de chegar ao maior posto da cozinha: lavar pratos, auxiliar em cortes e preparo, e fazer a limpeza fazem parte do dia-a-dia.

O cozinheiro Linguini, de Ratatouille.

Quem não lembra do filme Ratatouille quando o Linguini ficava pra lá e pra cá com um esfregão e a Colette falou sobre a hierarquia na cozinha?

A gente torce o nariz pra ela na vida corporativa, mas na cozinha certamente é preciso ter um chefe, ou chef.

“É muito cacique para pouco índio”, ouvi dizer na aula inaugural da Gastromotiva, ONG que capacita gratuitamente jovens de baixa renda como auxiliares de cozinha e dá suporte ao aprendiz a encontrar uma vaga no mercado de trabalho por meio da rede de parceiros.

É verdade que muitos não têm educação formal, e aprendem por necessidade ou com as mães, vós e tias. No meu caso, minha família toda já se aventurou pelo ramo de restaurantes, mas mesmo com minha mãe sendo uma cozinheira de mão cheia, a cozinha da casa dos meus pais sempre foi dominada por ela. Eu acabei mesmo me aventurando e tomando gosto pela cozinha quando me mudei em 2012.

Onde estudar?

O mercado gastronômico é muito amplo e está em plena ascensão. Pode se trabalhar desde tradicionalmente em cozinhas de bares e restaurantes, até se especializar em bebidas e coquetelaria, sommelier, bartender, confeitaria, panificação, personal chef, buffets, consultoria de segurança alimentar até gestão de negócios gastronômicos.

No link desta notícia, estão listadas todas as faculdades de Gastronomia pelos quatro cantos do país.

Para cursos profissionalizantes como o de Tecnólogo em Gastronomia no Centro Universitário SENAC, por exemplo, o custo é em torno de R$2.225/mês com duração de 2 anos. Porém, existe um curso livre, de Capacitação de Cozinheiro, que faz parte do Programa de Gratuidade do Senac, oferecido a pessoas a partir de 18 anos, com renda de até dois salários mínimos, e com ensino fundamental completo. O curso tem carga horária de 816 horas, é oferecido material didático e conferido certificado de conclusão de curso aos alunos aprovados.

Ainda no Senac, existe a possibilidade de fazer os cursos livres ou de extensão a preços mais acessíveis do que escolas particulares, que vai desde cozinhas por países como a japonesa, até temáticos como finger foods, cozinha saudável ou chocolataria.

Mão na massa!

Fiz até hoje numa promoção do Groupon a R$89 dois workshops de risotos, e massas e molhos, pela HOTEC, o que me renderem diversas noites do risoto felizes com meus amigos.

Minhas obras de arte: capeletti e raviolli

Nunca fui super fanática por doces, mas faria um curso de confeitaria que é geralmente o calcanhar de Aquiles de qualquer cozinheiro. Eu até me arrisco!

Bolo de iogurte com cobertura de Nutella e cereja.

Um docinho sempre deixa o final de tarde mais alegre, não é?

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