O barato da vida



A inteligência de novos tempos


De tempos em tempos temos a necessidade de nos reciclar. Afinal, quem fica parado é poste, e nesse mundão cada vez mais conectado e competitivo, se você não se atualizar, acaba ficando pra trás no mercado de trabalho.

Se você fez uma faculdade e trabalha numa empresa, certamente vai buscar por cursos de extensão, especialização, idiomas ou um MBA. Eu mesma sempre ocupei meu tempo livre com milhares de cursos para enriquecer o currículo: inglês, informática (sim, eu sou da época da SOS Computadores), espanhol, Photoshop, mídias digitais, cursos de extensão na área e por aí vai.

Eu me formei em 2006, e concluí a minha última pós-graduação no final de 2009. O curso de um ano foi na faixa, que os trainees da Vivo ganharam como subsídio da empresa na época, o que me valeu um diploma em Gestão de Serviços. Passados 6 anos, venho adiando este árduo e custoso processo de procurar e ingressar num curso na minha área ou mesmo aprender um novo idioma.

O adulto criativo é a criança que sobreviveu


Administração, liderança, gestão de pessoas, finanças, marketing. A lista é imensa e a oferta é bastante generosa, em escolas de negócio renomadas de 1ª. linha do Brasil e do exterior. Como nem tudo são rosas, o preço da educação formal ainda é caro no Brasil, mas com a posse de um cartão de crédito com um limite bem alto e que dê milhas, você pode parcelar a comprinha em suaves prestações infinitas. Tudo isso é ótimo se você tem claro na sua cabeça os seus objetivos profissionais, dinheiro e tempo para investir no mínimo 1 ano da sua vida.

Agora imagina que você se demitiu do seu emprego, não tem mais tanta certeza sobre os rumos da sua carreira, e decidiu fazer uma transição de área ou mesmo empreender. Ou ainda uma situação muito comum: trabalha integral ou parcialmente na sua área, mas procura outras formas de conseguir uma renda complementar?

Em algumas culturas, exercer outras atividades econômicas fora da sua área de formação pode parecer vergonha ou desperdício de tempo. Afinal, foram anos e anos presos num modelo de educação formal aprendendo português, matemática, química, e a geografia da Groenlândia, fora os anos da faculdade e outros cursos. Mas se você parar para pensar que na sua vida não utilizou metade desse conhecimento para ganhar dinheiro ou para fazer o bem, talvez pense que poderia ter se dedicado logo de cara ao que tem mais aptidão, ou que gosta mais de fazer, ao invés de ficar sofrendo com matemática quando seu dom natural é música. Parece óbvio, mas vai tentar convencer os pais que o filho dele não precisa ir à escola ou faculdade.

Apesar de ter feito escola pública até a oitava série e ter ficado um pouco defasada, eu tinha que entrar numa Universidade Pública depois dos meus pais pagarem 3 anos de colégio caríssimos. Não podia me dar ao luxo de não conseguir. Apesar se não fazer o tipo super gênia que nem meu primo que nem estudava muito ou fazia cursinho, e entrou na USP quatro vezes (Ciências da Computação, Direito, Letras e Turismo), eu era mais do tipo CDF esforçada, que além das aulas normais, passava a tarde no plantão e fazia todos os exercícios da apostila, porque tínhamos prova de segunda à sexta todos os dias! Ah, uma nota importante: todas as meninas fugiam das aulas de Educação Física, e eu não era diferente. Baixinha, magricela e uma lástima para sacar uma bola de vôlei. Quando me mandavam pra levantar na rede, eu tinha vontade de sumir. Lembro também das aulas de Educação Artística no ginásio. Era uma daquelas matérias complementares que eram uma bagunça e ninguém levava a sério.

O que quero dizer é que hoje sou grata pelos meus estudos, por isso sou mais consciente, posso fazer minhas escolhas e tirar as minhas próprias conclusões. De qualquer forma, vale a reflexão: Será que está na hora de repensar o nossos sistema educacional de formação utilitarista para não somente alfabetizar a mente, mas o corpo inteiro?

“Se você não está preparado para errar, você nunca conseguirá fazer nada original.” — Ken Robinson

A dança da nova economia


Você é formado em Engenharia ou Finanças, assumiu um posto de chefia em que precisa fazer apresentações constantes em reuniões de gerência, e tem problemas de timidez para falar em público? Talvez se tivesse tido aulas de teatro no ensino fundamental, este cenário poderia ser diferente. É publicitário ou jornalista, mas é pressionado a inovar cada vez mais em criatividade para conseguir novos clientes? Porque não fazer um curso em Cool Hunting, para captar as tendências e manifestações do futuro e antecipar nas relações de consumo?

Mesmo se você continua no seu emprego, existem diversas opções de capacitação e desenvolvimento pessoal que extrapolam os conhecimentos técnicos da sua área, e podem agregar na formação comportamental. Conhecimento técnico pode ser detectado no currículo, comportamental não. Certificados e MBA não atestam a competência para lidar com conflitos, pressão, prazos e pessoas.

Além disso, os tempos já são outros: as economias criativa e colaborativa surgem como novos atores e motores da economia mundial, negócios digitais e mobilidade ditam tendências e relações humanas mudam profundamente. As carreiras criativas que vão além da economia industrial e de produção — moda, design, teatro, música, arquitetura, produção audiovisual, gastronomia, artes, entre outras — tiveram o boom nos últimos dez anos no Brasil, apesar do conceito não ser relativamente novo, mas estão movimentando um mercado super aquecido para quem deseja largar a vida engravatada. Separei alguns artigos interessantes em português e inglês sobre a nova economia. Aqui, aqui, aqui e aqui.

Oras, se você trabalhou de barista, hostess e caixa em um intercâmbio, como eu, qual a lógica de não “se dar ao luxo” de fazer algo fora da sua profissão? Por que não transformar hobbies e projetos paralelos em algo rentável no seu próprio país em que não há barreira de idiomas, e você tem mais acesso à informação e crédito? Leva jeito para atuar, cozinhar, fotografar, mas nunca considerou leva-los a sério como ganha pão? Veja aqui a história da ex-estudante de Medicina que ganha a vida fazendo doces e brigadeiros

E a história desse casal que largou seus empregos para virarem blogueiros, criar e viver de negócios digitais. São criadores dos sites Hypeness, Casal Sem Vergonha, e Nômades Digitais, e hoje faturam 2,5 milhões de reais por ano. Pouca coisa?

Pensando assim, você para de se limitar. E pensar fora da caixa, descobrir novas paixões e talentos que antes não possuíam. Porque o ser humano é extraordinariamente criativo e podemos inventar, mudar, transgredir regras, se pararmos de nos julgar em tudo e ser menos severos com nós mesmos. E esse é o barato da vida, e desse novo mundo, que muda a todo momento.

O barato da vida cria alternativas a caminhos já percorridos. O barato da vida traz novos olhares, novas formas de pensar. O barato da vida nos faz ter um olhar desprendido. O barato da vida é descobrir que as regras podem mudar. O barato da vida é descobrir que na vida não há regras. O barato da vida te permite fazer aquilo que ama. O barato da vida te faz refletir sobre o seu legado. O barato da vida te ensina a ter menos e ser mais feliz.

E essa é a inspiração para criar estes textos que são ensaio e prólogo de um projeto novo e vibrante chamado de “O barato da vida”.

Em construção.