Conhece-te a ti mesmo.

“O conhecimento liberta.”
A ideia de possuir algo libertador e inalienável parece fantástica. Porém, aparentemente cada vez menos pessoas se mostram interessadas nessa ideia. O que observo hoje é o interesse pela informação, o que definitivamente não dá no mesmo.
Se entendermos o conhecimento como sendo o conjunto de conceitos logicamente definidos de maneira que estabeleçam os fundamentos de uma determinada área do saber e a informação como sendo uma forma de mensagem, cujo objetivo é tornar o receptor ciente da existência de algum fenômeno, então a diferença fica clara.
O processo de obtenção de toda sorte de informação é relativamente simples e rápido se comparado ao processo de obtenção do conhecimento. Esse último subentende o aprendizado e esse, por sua vez, é um processo controverso, algumas vezes extenuante e doloroso. Após anos de dedicação, você percebe que o conhecimento adquirido é ínfimo. Muita coisa ainda precisa ser aprendida e desenvolvida. Para isso é preciso escolher um único tipo de conhecimento a perseguir visto que é humanamente impossível conhecer sobre tudo. Após a escolha, muitos outros anos de dedicação são necessários. Quantos? Todos!
A obtenção de conhecimento tem basicamente dois efeitos possíveis: Ânimo e desânimo. Arrisco dizer que o desânimo é o efeito mais frequente, afinal, são poucos os seres humanos que toleram ter sua ignorância reafirmada a cada momento de sua vida. A obtenção de informação, por sua vez, dá a impressão de conhecimento e, ao nos acharmos conhecedores de algo geralmente ficamos felizes. Essa pode ser uma justificativa para um maior interesse em informação e não em conhecimento, caso essa observação corresponda à realidade.
Volto então à frase do início do texto: “O conhecimento liberta?”