Reflexão em aberto

“Ain mais um texto sobre dor, vocês na internet não se cansam de falar disso não?”

CLARO QUE NÃO! JÁ TOMAMOS GOLPE, FACULDADE TÁ ME ENLOUQUECENDO E EU NEM VOU COMEÇAR A FALAR DA MINHA SITUAÇÃO FINANCEIRA!

*arram*

Dizer que minha vida não foi fácil seria um eufemismo. Apesar de ter tido a sorte de contar com uma vida cercada de amor, isso não impediu a vida de me dar várias porradas e me nocautear várias e várias e várias vezes. E essas cicatrizes duraram mais do que eu gostaria, moldando uma considerável parte da vida adulta. Durante anos, convivi com a dor de não ser normal, de não me encaixar, de tentar desesperadamente me encaixar, de ser alguém mais padronizado. Felizmente, a faculdade me fez ver que não preciso fazer isso, que posso ser feliz sendo o que sou.

Ou será que não????

PAN PAN PAAAAAAAAAAAAAAN!

Mentira, ela ensinou isso sim. O problema é eu me convencer disso, e acredite, não é fácil. Numa das minhas inúmeras caminhadas de volta da faculdade, me peguei pensando na natureza da dor. Você já deve ter se perguntado isso: por que sentimos dor? E aí lembrei de Matrix.

Apesar das minhas críticas a esse filme, estaria mentindo se dissesse que o acho ruim, ele só não é tudo isso. Mas a cena em questão é quando Morpheus (ou o agente Smith, realmente não consigo me lembrar) explica que já houveram outras versões da Matrix, e em uma delas, tudo era perfeito e lindo. Mas as pessoas começaram a se matar, por que não conseguiam acreditar que aquilo era real. Sem dor, sem sofrimento, sem coisas ruins, é como se não fosse real mais.

Pensem bem: se não tem nada de ruim em algo, já achamos que é um sonho. E nos filmes, quando alguém está numa situação boa demais, eles já dizem “me belisca pra ver se tô sonhando”.

De forma bem simplista, pode-se dizer que a dor define a realidade…?

Num dos filmes de Jornada nas Estrelas, o quinto, o vilão do filme é um empata que pode remover a dor no coração das pessoas, e isso faz dele um líder entre essas pessoas “abençoadas”. Mas capitão Kirk recusa o processo, e diz que dor é algo que nos define, algo que faz parte de quem nós somos. E no meu caso, eu acho que é verdade. Eu acho que seria uma pessoa bem diferente, até mesmo pro pior, se não tivesse passado o que passei.

Mas o problema é que uma pessoa é um resultado específico de uma série de acontecimentos específicos. Se algo de ruim acontece com você, mas te deixa mais esperto, mais preparado, te torna uma pessoa melhor, será que é tão ruim assim?

Eu não sei se tenho o cacife e o conhecimento necessários pra discutir isso, mas devo dizer que essa ideia é bem interessante. O problema é que, mesmo que eu tivesse como conversar, existem dores, problemas, adversidades pelas quais nunca vou passar ou conhecer, por mais solidário e empático que seja. Eu até pensei bastante antes de escrever esse texto, por que morro de medo de relativizar a dor das pessoas.

Então acho que vou deixar ele em aberto. Se você tem sua própria visão sobre o assunto, ou só quer falar o quanto estou errado, me pare na rua, me mande uma mensagem inbox, se comunique comigo da forma que quiser. Quem sabe, aprendamos uma coisa um com o outro.

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