Amor de retina

Sempre achei um exagero da parte de Bukowski dizer que o amor é um cão dos diabos. Ora o amor não é quando dizemos que amamos nossos pais? Não é quando assistimos filmes da disney e vemos que a princesa fica com seu príncipe no fim? É, não exatamente.

O “amor” talvez seja a industria responsável pela maior movimentação financeira no mundo, ainda que não esteja isto em nossa percepção. Filmes sobre amor, livros sobre amor, músicas sobre amor, cartas de amor, festas, feriados, presentes. O mundo gira em torno do “amor”.

Ao observar a definição de amor de cada pessoa, percebemos a discrepância entre tudo que se é associado a este “ sentimento”. Mas sempre são associadas coisas boas ao mesmo, ainda que na maioria das vezes não haja a menor correlação.

Grande parte das pessoas sonha em encontrar seu “grande amor”, o que de certa forma é positivo se adotarmos a linha de pensamento que dita a reciprocidade, assim para encontrar alguém que à ame, terá de ser o melhor de si, e amar também, gerando uma sociedade harmônica, onde o amor é bom, e também é motivo de aproximação, mas ao acompanhar “histórias de amor” do dia a dia, percebemos não é nada disso.

O amor que orquestra a maioria dos atuais relacionamentos, não é simples, não é belo, não acarreta evolução e não faz bem. Os indivíduos não buscam amor, buscam beleza, buscam sexo, buscam luxúria, um passa-tempo, buscam um “ band-aid” para seus vazios, buscam quaisquer coisas fúteis e passageiras, e taxam isto como amor.

Para exemplificar o quanto depravamos e banalizamos os relacionamentos e os amores, temos como exemplo o “ Tinder” que não é nada além de um catálogo de seres humanos, e acreditem ou não, existem pessoas que buscam um amor neste aplicativo.

A busca pelo “amor” de hoje, na verdade é uma incessante procura pela pessoa com melhor estética, pela pessoa mais forte, pela que melhor fala, a que tem mais dinheiro, a que sabe escrever melhor, gerando uma completa banalização do significado deste sentimento, não sendo levado em consideração o mais simples e puro fato de que o amor se trata de se importar, de cuidar, de aceitar.

De fato nunca fomos uma sociedade que realmente compreendeu o amor, mas se buscamos e acreditamos em algum tipo de amor, é necessária uma massiva mudança nos valores ditados pela atualidade. Um bom amor não se começa pelos olhos, ou os cegos não seriam capazes de amar. Enquanto buscarmos nas aparências e superfícies um sentimento tão profundo que está além da compreensão humana, o amor será mesmo um cão dos diabos.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.