Teu abraço

O teu abraço, tão singular
Não é só alma nem corpo
Não são só braços envoltos
Tampouco o cheiro do pescoço

O teu abraço é cinema
Verso vivo de um poema
O mar da praia de Ipanema
De um oceano de ti

O teu abraço é latência
Paixão que queima em ardência
Um abraço que faz o homem se perder do céu
Um abraço que faz o homem se perder de si

Mas hoje, e só hoje
Não quero abraçar teu corpo
Pois ao te ver se entregar a outro
Sinto o desespero e o abraço gélido da solidão

E aqui desisto de amar-te
Desisto também de abraçar-te
Desisto de todas as partes
Que um dia achei sermos nós

Te deixo aqui um adeus
Mas também te deixo um abraço
Não desses que fazem os corpos colarem
Não desses que tornam imperceptível o caminhar do tempo
 Te deixo um abraço desses que se manda por frias mensagens
Um abraço,
Só um abraço.