Personagens medíocres dos fins de semana

A gente e essa necessidade de não parecer vazio.
Quanto mais a gente busca a todo custo — ouvir aquele cd de samba ou uma banda qualquer que tem uns metais, ver aquele filme europeu com mulheres magras de franja no meio da testa, ler aquele livro de antropologia que explica o óbvio com palavras difíceis — , mais vazio a gente fica.
 A intenção não é e nunca foi sentir alguma coisa.

E corremos, gastamos toda nossa energia pra que ninguém perceba 
o quão inútil somos, 
o quão insignificante somos, 
o quão iguais todos nós somos.

Vista sua indumentária as 23h das sextas na Amélia Rosa, 
dance a coreografia que ensaiou desde os 17 anos e 
calcule quantos minutos você consegue ficar sem respirar 
o ar de Marlboro.

Eu quero que você me admire pela minha personagem, não por mim, porque eu sei que não sou nada. 
Minhas ideias não são minhas. 
Minhas artes não são minhas. 
Tudo que eu digo já foi dito. 
Minha curadoria de fragmentos que compõem minha personagem é medíocre. 
E, ainda assim, é maior que eu.