romance

Liriz
Liriz
Sep 5, 2018 · 1 min read

Os moços inexperientes dos anos 2000 no romance adolescente
Com movimentos demorados e pupilas dilatadas
E os artistas fazendo música, vendo clipes e se tocando
Ele diz “eu vou casar com essa mulher” e ela o ilumina sorrindo
Na piscina, um campeonato de natação de 7 metros, profundo
Os dois chegam no mesmo segundo, se encaram com algum tipo de certeza

Uma banda ruim de cover de qualquer coisa indie que estourou na Inglaterra nos anos 2000 e eles dançam como num baile real e brilham
Ele vê toda a filmografia do Aronofsky porque ela comentou que gostava no segundo dia que eles se viram naquele bar com mais uns 20 amigos
Ela espera a hora de ir embora pro beijo, 16 anos
Se olham sem se tocar, confortáveis, bastava

Ele entregou um papel com uma poesia de 2010 que só fez sentido agora
Eles pintam um desenho old school improvisado na aula de história e as mãos e os joelhos de tocando por acidente 10 vezes por minuto
Segura e segura o choro no nó da garganta quando percebe a transcendência
Não é tristeza, é choque elétrico

E eu vejo de longe as linhas vermelhas, flutuando e enrolando nos corpos.

“Eu não entendi nada daquele filme.”
“Eu também não.”
“Eu senti sua respiração no meu pescoço e imaginei você nu fumando um beck na varanda as 5h30 da tarde. Você olhava pra trás, pra mim, e sorria. Era como se esse momento já tivesse acontecido muitas outras vezes.”

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    Liriz

    Sobre o dia que eu pisei na terra.