25 de Julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, fiquei frente a frente com Angela Davis. Ok, talvez não fisicamente, mas com 2811 km de diferença e com uma tela nos separando, acompanhei junto de minha mãe, a palestra “Atravessando o tempo e construindo o futuro da luta contra o racismo” com a filosofa e ativista Angela Davis.

Assisti a palestra de Davis atentamente, infelizmente não tive tanto contato com suas obras antes, mas já a conhecia por sua grande trajetória de vida. Enquanto escutava suas belas palavras, analisei com cuidado a sala da Universidade Federal da Bahia, havia centenas de jovens acadêmicos e docentes negros e negras.

“This is like a university should look like/É assim que uma universidade deveria parecer” disse Davis se referindo a quantidade de negros no evento da UFBA.

E nesse momento, percebi o quão distante as universidades do Brasil estão daquele evento na UFBA. Mesmo com as cotas raciais empregadas ao longo desses 10 anos em algumas universidades do Brasil, não é possível dizer que a desigualdade nesse espaço está solucionada. E isso não é nenhuma surpresa.

Mas apesar do Brasil ter muito que evoluir nas cotas raciais dentro das universidades, é algo que ainda nem existe em outros países, como nos Estados Unidos, por exemplo, e Angela fez questão de ressaltar:

“Admito que estou muito mais impactada com o sistema educacional brasileiro que com o norte-americano. Me lembro bem quando no Brasil começaram os debates e na Bahia já vejo ações concretas. Vi isso principalmente em Cachoeira, na Universidade do Recôncavo. Isso nos prova que é mesmo possível garantir acesso à educação formal à população que havia sido excluída historicamente”.

Posso dizer que ouvir a fala dessa grande mulher negra foi uma bela maneira de passar o dia 25 de Julho. Mesmo que por poucos minutos a companhia de Davis foi importante para lembrar que o dia 25 de Julho não é apenas celebrar a mulher negra, mas também um dia de lutar! Para nós, todos os dias é dia de luta, mas em Julho reforçamos os reais propósitos da nossa luta!

“As mulheres negras no Brasil hoje representam o futuro do planeta. O movimento social liderado por mulheres negras é o mais importante deste país.(…) As mulheres negras representam o futuro porque elas representam a verdadeira possibilidade de liberdade.” Davis, Angela.
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