Express yourself, don’t repress yourself

Minha amiga veio me contar que um ~rolo fixo~ dela, no meio de uma briga, a chamou de “depósito de porra”. Primeiramente eu fiquei chocada, depois me toquei que ouvi algo similar uma vez, e talvez, na verdade, com certeza muitas mulheres já ouviram conotações como essa alguma vez em sua vida. A questão em pauta é o motivo que o levou a falar tal besteira: ele achava inadmissível ela falar abertamente de sexo com amigos homens, além de manter amizade com ex-namorados. Um homem de 26 anos. Um neandertal.
Eu sempre fui muito sexual, falo abertamente sobre sexo como qualquer outro assunto, não escondo meus desejos e nem faço jogo duro quando tenho vontade e surge oportunidade. Faço piadas com conotações sexuais e gosto de tirar dúvidas e trocar experiências com amigas e amigos, sim. É isso, eu gosto de falar e de fazer sexo. Faria todos os dias, se assim pudesse. Qual o problema de uma mulher gostar de foder? (Por que mulher não pode falar o termo foder sem lhe virarem as caras, inclusive?) Ser sodomizada? Vale cuspe, vale tapa, vale xingo, a vida é tua, vai e faz, com consciência, mas faz. Eu sou menos respeitável por gostar de uma boa sacanagem?
Tem homem que acha ótimo uma mulher de atitude, mas não debaixo do seu próprio telhado.
Mulher de verdade não vai dar fácil pra você, ela vai dar se e quando ela quiser. Se for no primeiro encontro, ok. Se for no oitavo, ok também. Não existe “fácil”, é vontade. Não é minha vida sexual que dita quem eu sou. Eu dito quem eu sou, as regras são minhas. Não são suas visões turvas que vão mudar nossa conduta. Eu sou muito mais que um sexo, eu vou muito além que uma paquera e uma trepada.
Um peitinho de fora faz alvoroço, imagina falar em rodinha de amigos que você ama que o cara ejacule na tua cara? Que você se masturba até 3 vezes por dia? Provavelmente nós, mulheres, vamos passar longos anos sofrendo preconceito por expormos nossa sexualidade. Mesmo assim, doeu ver minha amiga magoada por ofensas como essas que ela ouviu. De um cara que ela dividiu boa parte do seu tempo. Um cara que excluiu absolutamente tudo o que conheceu dela, e a nivelou a um mísero pedaço de carne, podre. Quantas de nós já não fomos niveladas por baixo por expormos abertamente nossa sexualidade?
Eu escrevo poesias. Eu desenho. Eu estudo cinema por hobby. Eu lavo, passo, cozinho, pago conta, me sustento e ajudo minha mãe. Eu ouço Bruce Springsteen e sonho em casar. Eu quero ter um filho e quero que eu e meu marido dancemos “Dice”, do Finley Quaye, no jardim de casa, rodeados pelas minhas plantas, que eu tanto amo cuidar. Eu quero pieguices e eu também quero foder. Uma coisa não anula a outra, simples e somente.
Eu sempre tive vergonha de me expor, mas cheguei num ponto em que eu não consigo mais me esconder. Eu sou tudo isso e muito mais, eu faço tudo isso e vou muito além. Eu sou fiel a mim, eu sou responsável pelos meus atos, não pelas suas conclusões. Eu adoro me perder pra me encontrar. Eu adoro me acabar na dor e ressurgir das cinzas.
Eu me tornei peito aberto, ferida exposta, liberdade de expressão.
Eu sou isso que você vê, que você lê, eu sou mulher de fibra, trabalhadora, pulso firme, que contesta, se defende, ama sexo sujo, bebe até cair, que chora vendo How I Met Your Mother e ri com vídeos de cachorro na internet. Eu sou isso que você se priva de conhecer por medo do que vai encontrar.
Eu sou leitura errada por ignorância sua.
Eu sou louca, eu sou sensata, eu sou tudo isso e todas as outras coisas que você não faz questão de ver. Eu sou a dor que você reprime, o grito que você cala, o choro que você engole, as verdades com as quais você não lida bem.
Não ter vergonha, não se arrepender. Nosso grito ecoa, e ele vai ecoar quando e onde nós bem entendermos.
Amiga, ele não te merece, etc e tal. ❤