estaca zero

G.C.
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Aug 8, 2017 · 2 min read

Toca o despertador. Acordo aos poucos daquele sono profundo enquanto tento assimilar o por quê de eu ser acordada tão cedo. Nem amanheceu ainda. Faz frio nesse inverno seco paulistano. Tomar um café é fora de cogitação, a não ser que eu esteja disposta a chegar ao trabalho com uma hora de atraso por ter esperado o próximo ônibus. Mas, incrivelmente, enquanto enfrento meus dilemas matinais, você surge no meu pensamento como se minha mente estivesse desocupada. E em alguns momentos eu até paro o que eu estou fazendo só para lembrar do seu rosto sorrindo e me dando bom dia. Existem algumas coisas que deixam vazios inexplicáveis. Nem a rotina e a agenda lotada dessa cidade caótica são capazes de ocupar corações partidos e mentes viciadas em alguém. Penso nisso saindo de casa. Penso nisso voltando para casa. Que trânsito. Acho que esse grafite é novo. Penso em ler as notícias no ônibus mas fico enjoada lendo dentro de veículos. Ligo o som, mas logo lembro que preciso ficar atenta para não passar meu ponto. Só quero chegar logo em casa. Dormir e acordar de novo para querer chegar em casa no dia seguinte e dormir mais uma vez. Isso é viver sem vontade. Isso é viver na inércia. Os meros momentos de lazer não preenchem uma vida vazia. Sem nexo. E aquilo que me doía – pensar em você – tornou-se meu momento de lazer e descanso. Lembrar de como a vida era simples tendo você por perto me traz uma falsa sensação de paz, como se as coisas pudessem voltar a ser tranquilas um dia, como já foram alguns anos atrás. Às vezes acho que superei toda essa história que a gente viveu. Penso que vou ter um bom dia. Um dia cheio de tarefas que me aproximarão do meu sonho, do meu objetivo. E então lembro que não consigo nem dizer seu nome. E volto à estaca zero.

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[um grito, um desabafo]