Girl, you’ll be a woman soon

Ele deu aquele sorriso sacana, abotoou a camisa e atravessou minha bagunça, pisando em um par de meias azuis jogadas pelo chão da sala, para chegar até a porta. E saiu sem mais nem menos. Sem beijo de despedida, sem explicação. No fundo eu gostava desse descaso todo, porque eu também não era das pessoas mais dedicadas a um relacionamento e essa falta de preocupação fazia com que essas idas e vindas fossem leves. Ele vinha como uma companhia para beber um bom vinho, um amigo pra conversar sobre perrengues cotidianos e uma justificativa para tirar as roupas e esquecer tudo por algumas horas. E ia embora na manhã seguinte sem nenhum drama desnecessário, como quem cumpre seu dever e parte para outra. Não era amor. Nunca foi e nunca vai ser. Mas é essa coisa incrível de ter uma companhia igualmente destruída por relacionamentos passados, e que passa tempo com você para se distrair enquanto tenta se remendar. Eu e ele resolvemos questões individuais completamente diferentes, juntos. Sem tocar em nenhuma ferida.
Por isso sempre peço para que volte e traga aquele sorrisinho sacana, as opiniões fortes, o bom gosto em relação a comidas e bebidas e os DvDs do Tarantino. Porque o que quer que seja isso tudo, tem funcionado muito bem. De silêncios confortáveis a danças exóticas ao som de Chuck Berry.
Volta logo.
