Tragédia romântica – vol. 1
Palavras aleatórias. Listas com objetivos inatingíveis. Poemas que sumiram da minha mente enquanto eu procurava uma caneta para colocá-los no papel. A música ruim que começou a tocar e que eu pausei porque estava me atrapalhando. A sensação que permanece no peito depois de assistir um filme de romance sem final feliz.
Me remete à minha tragédia romântica. Todos tivemos ou teremos uma, ao menos. A não ser que você seja um indivíduo que quer blindar-se de todas as possíveis desilusões amorosas que a vida pode te oferecer. O que é possível – mas estúpido – afinal, esse comodismo nunca te trará o novo, o inusitado, o que faz o coração parar ou trabalhar loucamente (lê-se: o que faz a vida valer a pena).
Em tudo que escrevo, aquele que mudou permanentemente o rumo dos meus dias encontra-se nas entrelinhas. Você, caro leitor, provavelmente entende que a bagagem que você carrega após o fim de um relacionamento danifica aquela ingenuidade que você tinha perante o romance e te altera de uma maneira implacável. É o que dizem: a ignorância é uma bênção.
E, dessa maneira, o rumo da minha escrita acaba sempre sendo o mesmo. Sei que comecei escrevendo meus pensamentos momentâneos, mas a todo momento meu trágico romance ressurge em minha mente e toma o lugar de tudo que antes a ocupava. Ressalto: a bagagem danifica. Ela me impede de falar sobre amor sem ressentimento. Talvez porque eu sei que desfazer essa mala significa aquela despedida permanente. O temido ‘adeus’. E mesmo sabendo que é desse desvencilhamento que preciso para recomeçar, eu não o quero. Porque por mais que essa história tenha tido um fim há mais de ano, me machuca menos relembrá-la a ter que lembrar constantemente que preciso deixá-la no passado.
Nessa carta aberta para quem quiser ler sobre mais um romance mal sucedido, demonstro que acaba comigo sonhar com você. Acaba comigo imaginar como poderíamos ter sido se eu fosse mais insistente, paciente. É plena guerra entre cabeça e coração – algo comum para uma virginiana, diga-se de passagem. Eu sei que insistir só me faria sofrer. Eu sei que provavelmente meu coração vai ser seu para o resto da vida. Diria até que para além dela, mas acredito que ambos tenhamos seguido céticos.
Então espero que você não pense em mim. Esperei muito que você pensasse, na realidade, no entanto hoje vejo que o melhor que eu podia desejar a alguém que eu amo inexplicável e infinitamente, é que tenha me esquecido. Que não sofra com a lembrança minha. Que não carregue a existência como um fardo e que não sinta a mente queimar ao deitar a cabeça no travesseiro. Porque eu lembro de você sob efeito de qualquer substância. Às vezes fico bem, às vezes nem tanto.
