Aonde?

Era noite e chovia, pra criar um tom mais dramático. O rádio do carro não pegava bem e só dava pra ouvir alguma música baixinha e chiados.

Nossos olhos se bateram já conformados e tristonhos (nunca uso essa palavra, mas nenhuma descreveria melhor) - estava no ar. Na mente, eu já preparava algum discurso sobre expectativas e como elas estragam tudo, mas isso é só uma desculpa. Que bobagem, a expectativa é a mãe do desejo, não a culpada pela falta de.

Mas eu não jogaria essas palavras assim, em você, de forma tão descuidada. Você, que tanto zelou por mim e agora troca de estação de rádio num desespero que eu não sei se é pela nossa iminente despedida ou se é só impaciência mesmo, vamos logo com isso. E fomos, enquanto eu te perguntava as direções como quem não conhece GPS. Sem querer dizer nada, dissemos tudo.

-Eu não sei aonde você vai me deixar.
-Eu não sei pra onde eu tô indo.

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