Melhores amigos. Eu não sou o seu.

Aquele papo sobre a solidão.

Fonte: Pixebay

Tenho medo de falar em melhor amigo. Sei lá, as pessoas se ofendem e nem param pra entender do que estou falando, só acham que estou dizendo que ela não é minha amiga.

Eu não sou a melhor amiga de ninguém. E não venha citar minha filha nessa conversa, sou sua mãe, estou falando de pessoas adultas.

Não tenho aquela amiga de infância que me chamou pra ser madrinha de casamento. Aliás eu nunca fui madrinha de casamentos. Nem de filhos alheios. Eu não sou a primeira pessoa que você pensa em procurar, que você pensa quando te perguntam quem é seu melhor amigo.

Cara, a depressão me tirou isso. Eu não estive mais no mundo de ninguém e é por isso que eu me sinto sambando em todas as relações. Que eu vejo que não sou o primeiro pensamento de ninguém, nem das pessoas mais próximas. Ando sentindo isso bem profundamente. Acho até que o sentimento de solidão está cada vez mais intenso porque tenho urgência em resolvê-lo. Eu não aguento mais!

Não vou mudar nada agora a essa altura da vida, não farei amigas de infância com 31 anos. Eu mal dou conta de sustentar relações sem dinheiro de passagem para ir a encontros! Eu mal sustento conversas em whatsapp, messenger ou qualquer outro local!

Talvez o caminho seja compreender que o que me tornei, que a minha correria do dia-a-dia já não permita mais ser melhor nada de ninguém e eu tenha que viver sozinha. Sofrer sozinha, comemorar sozinha, sonhar sozinha. Mas eu sinto falta disso que só tive na infância e nunca mais aconteceu.

Eu sinto falta de não só.