A Guerra Por Você
Em específico, a luta pela sua atenção é interminável.
Para que o título faça sentido, é preciso conhecer alguns termos e conceitos. O realismo capitalista — que, adianto, não é uma crítica marxista à sociedade — é empregado pela publicidade para ilustrar a dialética entre a sociedade real e a idealizada. Cada anúncio, por si, representa um vislumbre mínimo desta realidade capitalista; um local simbólico, entre a ficção e a realidade, onde personagens abstratas, em contextos abstratos, ilustram determinado produto, seus benefícios ou maneira de viver.
Em termos simplórios, é uma romantização do presente e suas potencialidades. O realismo capitalista idealiza e idolatra os prazeres e a liberdade de escolha do consumidor e suas ambições materiais.

A publicidade não é uma arma. Ela é o exército, ela é a guerra. O equívoco está em pensar que ela é uma guerra contra o consumidor, contra suas opiniões, desejos ou receios. Ela não visa alterar a sua percepção. Na verdade, a guerra é contra os rivais comerciais — a luta é por uma fatia do mercado, procurando a vontade do consumidor entre alternativas viáveis.
De tal modo, os anúncios não apenas guerreiam pela sua atenção, como também fornecem o acervo bélico através de seus símbolos, e o campo de batalha através de suas idéias. Cada segundo, por mais efêmero que seja, da sua atenção vale dinheiro.
Na elaboração deste texto, utilizei a obra Incômodos Best-Sellers, USA de José Carlos Durand.
