“Cientistas Descobriram” e a baboseira
Somos diariamente bombardeados por frases de efeito.
A frase mais popular em artigos preguiçosos é sempre “cientistas descobriram”, ou uma variação desta. Como no título deste artigo, que eu escrevo de maneira preguiçosa para criticar a preguiça destes jornalistas, a frase quase nunca é explicada.
Aonde estão e quais são estes cientistas? Quais as suas credenciais? Foram verificadas as suas credenciais antes da publicação do artigo? Seu trabalho foi analisado, ou revisado, por pares? Como foram elaborados os estudos? O periódico aonde foi publicado é respeitável?
Essas perguntas são simples de responder, mas poucos se dão ao trabalho. Uma parcela menor ainda se dignifica a oferecer um link para o estudo publicado. Tremo em pensar em quantos artigos são publicados diariamente em revistas online sem a devida pesquisa apenas para contribuir combustível ao mecanismo de movimento perpétuo que é a internet e adquirir clicks.
Em vez disso, usam-se da frase-tema do presente como carte blanche para legitimar uma narrativa muitas vezes baseada em evidências distorcidas.

Chegamos ao ponto em que não apenas tratam o mercado de suplementos e a nutrição como uma escada curta para o sucesso, como também ignoram a saúde daqueles que estão lendo seus artigos.
Ao todo, me parece uma estratégia míope de enriquecimento a curto prazo.
A verdade é que a vasta maioria da população não precisa ingerir mais luteína. De fato, a ingestão deste nutriente não vai miraculosamente transformar o seu cérebro ou manter a sua visão perfeita.
A luteína é apenas a mais recente leva de baboseira deste universo centrado em vender o próximo produto nutritivo e a próxima dieta da moda. É uma pena que ben goldacre não seja ativo aqui no Medium, pois ele teria umas boas palavras para compartilhar sobre o assunto.
