Literacura #5 — As Mentiras de Locke Lamora
Um pouco de fantasia para quebrar a monotonia.
As Mentiras de Locke Lamora é o resultado do acasalamento da magia e ladroagem. A história se passa em uma versão fantasiosa de Veneza; a cidade litorânea de Camorr é repicada por uma série de docas e rios, de modo que a sua composição assemelha-se a um arquipelago.
É nesta versão surreal de Veneza que os personagens principais — Locke Lamora, Jean Tannen, os gêmeos Sanza e o novato do grupo, Pulga — arquitetam seus roubos, furtos e estelionatos. O livro explora o submundo da região, suas regras e costumes, ao mesmo tempo que traz vida às personagens com a exposição.

A narrativa pula entre o presente e o passado com maestria. Ações que parecem sem importância na narrativa do pretérito ecoam pelo tempo, muitas vezes se repetindo com um twist significativo. As Mentiras de Locke Lamora é um exemplo de fantasia inteligente, mas não pretensiosa, em que as limitações do protagonista — um ladrão esperto — servem como realce de suas qualidades.
Há momentos infelizes, entretudo. Em algumas passagens, o raciocínio quase perfeito do personagem principal (e, em outros, sua estupidez) podem tirar o leitor da história. Felizmente, tais momentos são poucos e espaçados o bastante para que não tinjam a narrativa desfavoravelmente.
É fácil se envolver na política, história e assuntos de Camorr, tanto na nobreza, quanto no submundo das gangues que dominam a cidade. Em especial, a tensão criada pelo acordo entre os nobres e os lordes do crime, proibindo que a nobreza seja alvo de furtos e roubos, e a maneira com que Locke e sua trupe caminham no fio da navalha entre ambos os círculos sociais criam uma história envolvente.
Para obras similares, ver: Brandon Sanderson (em especial o primeiro livro da série Mistborn), Patrick Rothfuss e Robin Hobb (para uma perspectiva mais grimdark)
