Currículo

Aparentemente existe um momento na vida de toda pessoa, em que você entra na sociedade. Isso acontece quando a tal sociedade te julga maduro o suficiente para querer saber sua opinião sobre as coisas. Você tem o poder da decisão.

Não se engane em achar que isso é aos 20 e tantos. Muitos já tem que saber das coisas lá pelos 12–14 anos.

Não sei como foi a estrada de cada um, mas, para mim, foi melhor me manter “underground” por um tempo. Nunca tinha sido aquele que vai atrás de descobrir as coisas. Tudo parecia bem como estava.

Mas a verdade é que não estava tudo bem. Nunca vai estar tudo bem em nenhum momento da vida.

Porra, por que ele pode fazer isso e eu não? Por que isso não acontece comigo? Não sou bom o suficiente?

Provavelmente você deve estar pensando “que perguntas infantis, vê se cresce”. Sim, concordo. Mas era inevitável pensar, pelo menos naquela época. Também era inevitável ficar insatisfeito com a situação e finalmente fazer algo para mudar.

De repente, percebo que me permiti sentir. Isso mesmo, sentir. Senti raiva, felicidade, tristeza, senti amor… E quando olho para trás percebo que as coisas foram muito diferente do que eu pensava. Era como se eu estivesse num jogo de tiro, e estivesse sentindo que estava jogando muito mal, que morri demais, mas aí eu olho o placar do time e sou o primeiro lugar e o que mais matou. Esse acontecia por causa da minha visão das coisas, que eu digo ser “realista”.

Então parei de me preocupar com o que acontece de ruim? Não. Em algum momento, senti-me livre para pensar em um futuro, e esse futuro foi de um pensamento, para um sonho, para um objetivo. Em minha mente, é como se eu estivesse em um barco e cada acontecimento ruim, cada vez que me sinto quebrado por dentro, são como ondas quebrando uma parte do barco, enquanto eu tenho que consertar. Tudo que eu sei durante meu tempo nesse barco, é que vou chegar no meu destino.

Quero viver! Depois de tantas ondas, não sei o que pensar, posso estar até perdido. Mas sei que quero sentir a viagem.

Na tal sociedade, o que vai importar no seu currículo é onde você chegou para saberem o quanto sua opinião vai importar. Entretanto, o que me importa é o currículo da minha vida, e lá o importante é o que eu fiz para chegar lá: todas as loucuras, todas as aventuras, todos os momentos felizes e importantes, todos os feitos. Isso tudo para eu poder pensar, no meu leito de morte, em frente à minha esposa, filhos e cachorros, que tudo valeu a pena.

Agora eu garanto que vou me esforçar, que eu vou fazer o possível para que tudo dê certo nesse barco. Sei o destino, mas irei viver o agora. Você vai ver!!!

E o que vai ter no currículo da sua vida?