Falei sobre os machistas no Twitter (e eles não gostaram)

Ontem eu estava exausta e resolvi desabafar publicamente. Hoje resolvi vir pro Medium e me explicar para o mundo em mais de 140 caracteres.

Publiquei alguns tweets sobre cinco casos de machismo que aconteceram comigo dentro da comunidade de JS/Front-end de Florianópolis. Foram apenas cinco, mas poderiam ter sido 10, 15, 20 situações. Não vem ao caso falar sobre cada uma porque são apenas pequenas histórias. São bobas, são pequenas, deixei passar.

O problema é que essas histórias se juntam em um aglomerado de outras histórias. É uma carga que você carrega pelo resto da vida. É uma carga que você pode compartilhar, ou não. Eu resolvi compartilhar (ou gritar) e sabia das consequências.

Esses tweets incomodaram. E muito. Embora apenas duas pessoas tivessem falado comigo diretamente, as tantas outras resolveram me ofender indiretamente em canal privado. Não entra em questão o que disseram, somente a reação em cadeia. Afinal, como pode essa feminista se sentir no direito de falar mal deles? De generalizá-los?

Por que publicar no Twitter?

Eu estava cansada e aquela foi uma das formas que vi de me expressar. Eu podia tocar violão, assistir Netflix, encher a cara de vinho, comer chocolate, conversar com uma amiga. Mas eu resolvi fazer um tweet (ok, cinco).

Vamos supor que você comprou uma geladeira e ela chegou com defeito. Você tenta ligar para o SAC e ninguém te atende. Cansado, você publica no Twitter e é respondido com diversas ofensas. “Como assim ele não gosta da nossa geladeira? Entregamos com tanto gosto! É a nossa geladeira, da nossa marca! Você está manchando a marca deste fabuloso eletrodoméstico”.

Tudo isso porque você publicou algo no SEU Twitter. Faz algum sentido? Acho que não.

Por que não falar com os envolvidos?

As vezes falo, as vezes não. Depende da situação e do impacto. Depende da minha paciência. Não é todo dia que eu acordo disposta a explicar o porquê de determinada piada ser ofensiva. De explicar porque não é legal julgar meu intelecto, minhas roupas, meu cabelo, eu.

Muito da responsabilidade de ajudar os homens a se desconstruir é colocada em cima de nós, mulheres. Quando fiz aqueles tweets fui questionada (indiretamente e por homens) de porque não resolvi a situação no mesmo momento e com as pessoas envolvidas.

Eu sei, o exercício de empatia é complicado. Mas pensa comigo, se alguém passa a mão em ti, você vai sentar com a pessoa e conversar ou tentar fugir da agressão? Se alguém grita ofensas no meio de um campeonato, você vai conversar com essa pessoa ou sair daquele lugar?

Na primeira situação resolvi fugir. Na segunda, resolvi conversar.

Mas vamos continuar com o exercício! Que tal multiplicar esses cenários? Que tal pensar em ter que conversar com todo homem que te trata com desrespeito? Não é toda briga que você vai conseguir comprar. Não é minha responsabilidade as merdas que fazem comigo.

Sabe o mais engraçado? As mesmas pessoas que me julgaram por não resolver pessoalmente sequer falaram comigo sobre isso. Vai entender.

¯\_(ツ)_/¯

Por que generalizar?

Tenho vários amigos que se dizem feministas e a favor da igualdade de gênero. Eles querem ajudar a atrair mulheres para comunidade, ensiná-las a programar.

Generalizar todos os homens parece errado, e eu generalizei.

Mas sabe esses amigos feministas? Fizeram nada. Para não generalizar tanto assim, um deles intercedeu por mim. Outros, que estavam no grupo do Bolinha, falaram nada. Dois vieram tirar satisfação, mas não preocupados comigo; preocupados com a reputação da comunidade local.

“Para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados”.

Se você é um desses caras, eu não estou chateada contigo. Não precisa vir me dizer o quão massa tu és, o quanto você faz pelas minas. Vocês são homens em desconstrução e eu entendo. Só pare de me julgar por isso.


Faça a diferença julgando seus amigos machistas, não eu.