Contentamento é um comportamento avesso a natureza humana, e tenho percebido isso a cada dia quando insisto em dirigir meu primeiro bom dia a Deus. Essa é uma forma pessoal de dizer que Ele é meu amigo, além de tudo mais que Sua Pessoa tem se mostrado para mim ultimamente.

Muitas pessoas se queixam acerca do sofrimento, como sendo algo exclusivo, mas se esquecem que a vida de todo ser humano é regado de sofrer. E repetidamente, a escolha tem sido conjugar esse verbo em todos os pronomes e tempos; como diria o compositor Vinícius de Moraes, "tristeza não tem fim, felicidade sim." Nota-se que com o passar dos anos, o brilho da inocência a cerca de viver se esvai quando nos deparamos com grandes perdas, as quais confundem nossa própria identidade.

Existem muitos vivos mortos ou mortos vivos ambulantes. Pessoas que respiram sem querer, e alguns por mero prazer egoísta. Existem também aqueles que caminham pois precisam seguir o fluxo, não olham pra trás, nem mesmo pra dentro de si. O tempo tem sido aliado em aspectos positivos e negativos, depende do olhar. Ora cura, ora endurece.

Tenho acompanhado de perto algumas histórias sobre a dor, além das minhas. E tenho uma notícia para dar: enquanto vivermos nesse espaço de tempo chamado vida, elas nunca irão se suspender. Principalmente quando escolhemos caminhos de conseqüências ruins.

A Palavra não define o que é felicidade, mas define o que é uma pessoa feliz. Bem-aventurado aquele que chora, é perseguido, tem fome e sede de justiça, é manso, misericordioso, limpo de coração, pobre de espírito, pacificador, enfim. Ao ler esses versos em Mt 5.2-11, questiono se realmente é bem-aventurado mesmo. Pois parece tudo tão contraditório. Como ser feliz, em meio a dor? Aliás, será que precisamos ser felizes em meio a dor?

Quando olho para mim, não vejo motivos para felicidade. Sendo bastante racional e fria. Pois tudo o que possuo hoje, é efêmero e pode ser destruído em questão de segundos, bem longe do meu consentimento. Tudo é vão. Existe um vazio em nós, que somente o espiritual pode preencher, e isso Paulo diz com muita propriedade. Pois ele foi mestre sofrimento, e ainda assim não desanimou, mas fez de Cristo seu próprio alvo a ponto de se entregar em vida por Ele.

Tenho percebido que livros de auto-ajuda e o evangelho superficial pregado por aí, tem desviado a verdade sobre a Verdade. Confesso que o evangelho superficial do imediato me cansa, e me cansa a ignorância do possuir também. Não me refiro apenas a bens materiais. Refiro-me à saúde, familiares, amigos, amores, empregos e afins. Tudo que é pregado a respeito de Seus feitos para seu bem-estar "efêmero", pode te decepcionar, pois Ele não está preocupado em dar o que você pede, mas em Ser o Caminho.

Ele não é uma força interior, Ele não é uma ponte pra você atingir seu objetivo. Ele não quer ser o meio do caminho, Ele não quer ser uma válvula de escape, Ele não tem a intenção de tirar seu sofrimento só porque você é fiel. Tenho aprendido que Deus não transforma problemas, Ele transforma pessoas. Essa é sua especialidade, pois quando Ele transforma você, o seu alvo é Ele, e não mais o seu problema.

Imagino que o leitor pode estar desapontado agora...pois pode estar passando por um momento ruim, no qual tem a esperança que Ele vai realizar o que deseja. Mas já parou pra pensar se isso não acontecer?

Quando digo que insisto em dar bom dia a Deus, é porque não tenho o contentamento. Eu apenas escolho não olhar para os meus problemas, mas para Suas promessas de bem-aventuranças. Mt 5.2-11 diz que quando o foco não sou eu, passo a ser feliz. Então penso seriamente que o que importa não é o que sou como ser humano, e nem o que a vida me oferece, mas o que Ele fez por mim, e o dom da salvação de mim mesma, não dos meus problemas.

Faço das palavras de Ariovaldo Ramos, as minhas. "Deus não nos carrega em Sua santidade, caso contrário, não suportaria esse mundo; mas nos carrega em Seu sacrifício." Sua morte gerou nossa vida.

Dez / 2104