Simão. Pescador de perfil rústico, impetuoso, cheio de sentimentos. Junto ao seu irmão André, trabalhava em um negócio de lucro naquela época, pois possuir redes e barcos não era negócio de pessoas pobres. Morava em Carfanaum com sua família e apesar de não ter se tornado um rabino, sendo judeu, ansiava a vinda do Messias, diante da opressão ocasionada pelo domínio romano da época. Liderança e sinceridade o definiram como Pedro, pedregulho pequeno, ou rocha, pelo próprio Jesus.
Em certa ocasião em que estava no barco, Jesus ordenou que lançasse as redes em busca de peixes. E então a partir desse dia, Pedro passou a ser pescador de homens, pois grande milagre havia acontecido. Reconheceu sua pecaminosidade, mas sem arrependimento, pois como um bom judeu, movia-se pelos sinais. (1 Cor 1:22).
Na Bíblia encontramos em Pedro características comuns de um ser humano. Na tempestade sobre o mar da Galiléia, onde enxerga em Jesus um fantasma, ou até mesmo, quando questionou-O sobre a contaminação espiritual do homem. Mas, o que deixa isso mais intrínseco em Pedro, na minha opinião, é o conflito de ideias, em Cesaréia, quando afirmou que Jesus era o Messias (pelo Espírito), e logo em seguida repreendeu-O (por Satanás), quando Ele disse que morreria e logo depois ressuscitaria. Isso me remete a Tiago, quando questiona se uma fonte pode jorrar água doce e amarga ao mesmo tempo (Tg 3:11). É evidente que Pedro ainda não havia se convertido (Luc 22.32).
Na noite da transfiguração, quando subiram ao monte e Jesus se resplandeceu como o sol, eis que lhe apareceram Moisés e Elias. E Pedro (imagino que um tagarela), se intrometeu na conversa, querendo construir um tabernáculo terrestre. E estando ele ainda a falar, uma nuvem luminosa os cobriu...penso... "Silêncio Pedro! Tabernáculo terreste? Aqui não é um bom lugar, e além disso, existe uma obra ser feita! Este é meu Filho amado em quem me comprazo, ouça o que Ele tem pra dizer!" A situação provou que Pedro não sabia mesmo o que fazia. Não queria ouvir a Jesus, apenas desfrutar do "bom lugar", e isso era insuficiente para edificar sua vida espiritual.
A Palavra continua dando indícios sobre a natureza humana de Pedro, onde perguntou-Lhe sobre o limite do perdão, ou a recompensa de quem o servisse, sendo que havia "deixado tudo". Existe também o caso da figueira seca, e o da defesa de Jesus, cortando a orelha de um soldado (Jo 18:10). Por fim, a mais impactante e conhecida, a afirmação de que jamais deixaria seu Mestre, sem imaginar que o negaria naquela mesma noite.
Quantas vezes me comparo a Pedro, criatura impulsiva. Creio que Jesus escolheu-o, não olhando para seus defeitos mais evidentes, mas por sua qualidade ofuscada: a sinceridade. Se ele não fizesse tantas perguntas tolas ou indagações incoerentes, jamais encontraria refúgio no Mestre quando precisou de perdão no momento mais escuro de sua vida. Quando percebeu o que havia feito, chorou amargamente, e se arrependeu.
A conversão exige mais do que andar com Jesus. Obediência à Palavra não significa que estamos convertidos, mas sim, o arrependimento dos nossos pecados e o reconhecimento do Seu poder operando em nós. Pedro, tornou-se criatura transformada pelo poder de Deus. 
Diante disso, quem sou eu para desacreditar da minha própria conversão, ou da salvação de qualquer outra pessoa inimaginável? O importante é que Ele crê, e a escolha antes de ser minha, é dEle.

Maio / 2014