5 Coisas que a maternidade me ensinou

Nada me transformou tanto na vida quanto a maternidade. Quando me tornei mãe, a “menina” que existia em mim não queria mais viver. Já não me sentia assim tão à vontade com meus próprios pensamentos. Preocupações muitas vezes tão fúteis iam perdendo valor e tudo o que foi ficando construiu sem dúvida uma nova identidade.

1.0 Construir minha própria identidade

Uma das primeiras coisas que a maternidade me ensinou foi a pensar por mim mesma. Tomar minhas decisões sem me preocupar com o ponto de vista alheio. Exceto o meu marido, não havia motivo mais para me preocupar o tempo todo em agradar as pessoas. Pelo bem estar da minha filha eu teria que ser mais forte. Ser mais forte significou nos primeiros meses após o parto, assumir pra mim mesma quem eu era de verdade… Assumir meus valores e minhas vontades, independente das vontades da minha mãe e da minha sogra, por exemplo. Desde então eu me descubro mais forte a cada dia. Assumo minhas próprias fraquezas, sem medo. Parei de exigir perfeição. Minha prioridade passou a ser minha evolução como ser humano.

2.0 A amor por um filho não é instantâneo

O ser humano tem uma capacidade incrível de se reinventar. Nos primeiros dias após o nascimento da minha filha, eu chorava bastante. Um mundo romântico e lilás que havia sido criado em minha mente simplesmente estava em ruínas. O peso da responsabilidade, o medo da mudança… somados aos hormônios em ebulição me colocaram numa posição bem difícil. Eu queria estar feliz, mas sabia que tudo em mim era tristeza. Minha filha tão frágil e dependente estava ali. Todos os dias eu reunia forças para cuidar bem dela. Amamentar era gratificante e sentia que somente eu poderia dar todo o amor do mundo para aquele bebê. Mas o amor precisou ser construído, inventado e foi se fortalecendo a cada dia. Não existia um amor instantâneo, como daqueles macarrões que ficam prontos em 4 minutos. O amor começou assim bem tímido, cheio de dúvidas, inseguranças. Mas em pouco tempo foi evoluindo para um amor tão puro, forte e inabalável, um amor que conseguiu tirar de dentro de mim toda tristeza que ainda restava.

3.0 O amor de ninguém é instantâneo

Aprendi logo nos primeiros meses da minha bebê que, se o amor de mãe não é instantâneo, o amor de pai também não é. O amor de um pai pelo seu filho pode demorar um pouco a despertar. O meu marido estava muito preocupado comigo. Muito mesmo. Não gostava de me ver chorando e triste, sem querer sair de casa. Aquela situação difícil pela qual passamos, pôde demonstrar o quanto meu marido realmente se importava comigo, mesmo eu estando ainda quinze quilos mais pesada e com o rosto todo inchado. Meu marido não é do tipo que demonstra sentimento com palavras. Mas ele sabe, definitivamente, demonstrar sentimentos com atitudes. Sua atitude foi de um marido amoroso, comprometido e responsável. Ele soube cuidar bem de mim, no momento em que eu mais precisei na vida. Mas eu percebia que sua preocupação era muito maior em relação a mim do que à nossa filha. Aos poucos, no seu tempo, seu amor por ela também despertou. Hoje é uma das coisas que mais me traz satisfação. Ver o amor dele por ela e dela por ele!

4.0 Fortalecer a fé é muito importante

Cultivar a espiritualidade nunca foi tão importante. Antes do nascimento da minha filha, eu e meu marido estávamos num momento muito bom em relação à espiritualidade. Diferente do meu marido, eu sempre fui uma pessoa de pouca fé. Mas aquele foi um dos momentos em que mais pude exercitar minha fé em algo superior. Antes da minha bebê nascer eu me sentia muito bem resolvida com minha religião. Isso foi algo realmente importante, pois me permitiu manter toda a calma e segurança possíveis antes e durante o parto. Ainda assim, minha fé não foi suficiente para segurar a carga emocional que acabou explodindo numa leve depressão pós-parto. Não sei se é possível classificar assim. Chamo de depressão “leve”, pois assim como chegou, ficou por pouco tempo e logo foi embora. Hoje consigo enxergar o quanto foi importante ter cultivado minha fé antes do início desta fase de grandes mudanças que é a maternidade.

5.0 A maternidade é um exercício de caridade

A partir do momento em que você se torna mãe de um bebê, você passa a se sentir um pouco mãe de todos os outros. Eu nunca fui alguém que gostasse de dar atenção para crianças. Ao contrário. A “menina” que existia dentro de mim, antes de ser mãe, queria a atenção toda pra ela. Definitivamente esta “menina” parou de existir a partir do momento em que começou a enxergar as necessidades do outro antes das próprias. Cuidar de um bebê exige desprendimento. A mulher passa a ser mãe quando consegue deixar sua vaidade, orgulho e egoísmo em detrimento do bem estar do filho. Assim despertou em mim o verdadeiro amor ao próximo. A maternidade me fez enxergar todas as crianças com outros olhos. Olhos de bondade, cuidado e caridade. Descobri que ser mãe é praticar diariamente a caridade em sua forma mais pura.

L.W.A.S. — Mãe da Giovanna, de 4 anos e do Théo, de 1 dia. ❤