Não é novidade alguma que a educação brasileira vive sob condições tristes, certo? As estatísticas (recentes e não recentes) não são nada animadoras e períodos de contigenciamento afetam ainda mais o contexto.
Ontem mesmo nós tivemos o ENEM, que é a principal prova em solo nacional para a educação básica. Os dados levantados dos anos anteriores já trazem uma realidade da nossa educação. No ano de 2018, 112.559 candidatos tiveram suas redações zeradas, enquanto apenas 55 tiraram a nota mil. E, apesar do número de notas 1000 terem subido e as de 0 terem reduzido, ainda são números extremamente ruins quando olhamos para uma prova que teve mais de 4 milhões de candidatos, cujo a média alcançou apenas 522.

Mas é injusto avaliar pelo ENEM por diversos motivos. A prova que deveria avaliar o ensino médio se tornou o maior vestibular do país. A prova cresceu e hoje são 180 questões + redação, divididos em dois dias, onde o estudante tem, em média, pouco mais de 3 minutos para responder uma questão e cerca de 30 minutos para desenvolver uma redação com fundamento e proposta de intervenção. SÉRIO?
Por outro lado, nós temos o SAEB 2017, onde os dados provam que mais de 70% dos estudantes que saem do ensino médio, sequer sabem interpretar um texto corretamente ou até mesmo entender uma porcentagem. É absurdo pensar que essa galera vai entrar na faculdade com tal dificuldade de nivelamento. O mesmo SAEB mostrou que a educação não evoluía desde 1997 (preciso falar algo sobre isso?)

Quando a Lazu nasceu, e eu comecei a ter noção destes dados, só conseguia pensar em ter raiva. Queria culpar todo mundo. Governo, professores, gestores, estudantes.
Mas quando olhamos mais a fundo, é difícil entender quem culpar. O problema da educação é o próprio cerne dessa imensa área. A falta de ativismo gerada por uma padronização de um ensino massivo e totalmente passivo por parte dos estudantes é um problema presente em todos os nichos da educação (da educação básica ao superior, da escola pública à privada).
A raiz do ensino regular foi criada assim e é extremamente difícil mudar tal situação. É o tal do modelo de 300 anos (que na verdade foi trazida pelos jesuítas para cá em 1534), que faz parte de todo o escopo educacional do país.
Mas como mudar?
Talvez seja a pergunta de 1 milhão de dólares, mas eu entendo que nós já temos soluções para isso. O primeiro passo é entender que cada escola tem suas características, então não cabe desenvolver uma solução nacional. O Brasil é um continente, e adivinha? Não dá pra padronizar um continente.
Muito se fala de digitalização, EAD dinâmico, Realidade Virtual, Realidade Aumentada, Inteligência Artificial, entre outros. Eu entendo que, infelizmente, grande parte dessa tecnologia ainda é elitizado. Menos que no passado, é bem verdade, mas se mantém distante de muitas escolas e regiões periféricas.
O uso de metodologias ativas é até facilitado por esse tipo de tecnologia, mas o que precisa ser mudado são as entregas de conteúdo e as metodologias de ensino-aprendizagem. Não adianta entregar aplicativos com conteúdos em PDF, ou só mais do mesmo, precisa ir além. Eu vejo dinamismo e contextualização, como palavras da moda que encaixam muito bem no que é necessário para implantar uma metodologia inovadora na educação, mas não adianta utilizá-las para apresentar sua escola ou seu produto sem saber o que elas realmente significam a fundo.

O professor tem o queijo e ensinar essas metodologias tem sido um trabalho árduo. Na Lazu, nós temos tentado evoluir essas metodologias. A ideia é sair do modelo “Decore essa apostila, passe no vestibular e esqueça” para o modelo “Aprenda a resolver problemas reais com esse assunto e ok, passe no vestibular também”. Utilizar a palavra inovação é fácil, pois é subjetivo, mas mudar a realidade de vidas, influenciar mudanças reais em regiões não centrais, isso sim, é inovar.
Inovar é trazer algo melhor para os estudantes, sejam escolas privadas ou públicas, e, nós sabemos exatamente que não é tão simples cativar essa galera que vem sendo desmotivada ao longo do tempo. Mas trazer uma cultura de proximidade do estudante, com referências culturais e projetos de desenvolvimento nas múltiplas áreas de conhecimento pode sim ser o futuro.
Eu sou Lívio, e faço parte da Lazu, uma startup que juntou expertises de Design e Tecnologia para desenvolver um material didático mais próximo do estudante de ensino médio.
Referências
