A depressão por trás de uma pessoa feliz

Imagem ilustrativa do filme Um Olhar Do Paraíso.


Por vezes me senti obrigada a fingir que eu não era uma pessoa deprimida. Eu sentia que não podia fazer outras pessoas sofrerem por eu estar sofrendo. Isto é, não queria entristecer as pessoas que eu gostava e que se preocupavam comigo.

E eu fingia, fingia tão bem que ninguém percebia que a luta diária contra depressão era devastadora, e que eu era uma pessoa extremamente infeliz.

Lembro que uma vez ou outra, eu não conseguia, e me isolar era a solução. Amigos próximos não entendiam a minha mudança radical de compartimento, eu os travava mal para que eles se mantivessem distantes. Não queria machucar ninguém.

Os que sabiam do real motivo me diziam coisas como: “O que você precisa é de um emprego” “Vai num psicólogo” “Porque você é assim?” “Mas você está sempre tão alegre” Eu sei que alguns nem falavam por maldade, e que essas frases são ouvidas constantemente por pessoas que sofrem de depressão. O que me irritava de verdade, era pessoas que associavam minha doença com algum caso amoroso que eu vivi. “Ah, você está assim porque aquele seu relacionamento não deu certo?” “Você vai arranjar alguém que te mereça de verdade” Caramba! Tudo que já passei, não se compara em nada com um simples término. Mas entendo. O fato de fingir que eu era feliz, e “de uma hora pra outra” estar ali deprimida, fazia com que as pessoas imaginassem algum motivo para aquela minha tristeza.

Havia crises demoradas e que eu achava que dali eu não sairia mais. Perdi as contas de quantas vezes pensei em suicídio, ficava ensaiando na minha cabeça cenas da minha própria morte. Mas eu conseguia me reerguer porque havia pessoas que precisavam de mim, e o que eu podia fazer para ajudar as pessoas que gosto, eu ia e fazia. Juro que não sei de onde eu tirava forças para sair daquelas crises , mas a gratidão dessas pessoas me fazia um bem danado. Acredito que, era Deus quem me colocava de pé também. Eu gosto demais dessa citação do livro O Pequeno Príncipe “O essencial é invisível aos olhos” Deus é essencial para os que acreditam nEle.

É uma luta que parece interminável, e muitas pessoas por desespero total não conseguem e o suicídio lhes parece a única solução. Não julgue as pessoas que tomaram essa decisão e parem com essa de dizer “não terão o perdão de Deus” se o Deus que vocês servem não consegue perdoar uma pessoa extremamente desperada, para quê servi-lo então?

E também parem com a mania de comparar a dor alheia com o fato de que existe pessoas em situações piores, isso não ajuda em nada.

Se eu não posso ficar triste porque existem pessoas em situações piores, então também não posso ser feliz porque existem pessoas tristes? Revejam seus conceitos. Não julguem e não rejeitem a dor que não é sua.

By: Lizeh Rodrigues

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.