A água e a preocupação nossa de cada dia

Vivemos em um mundo globalizado com desafios que vão além daqueles enfrentados individualmente por todas as nações. Atualmente existem diversos assuntos globais que necessitam de ações conjuntas, especialmente se considerarmos a vida humana em primeiro lugar. Algumas regiões, como a América Latina, nos dão exemplos de como a boa estrutura de saneamento reduz a mortalidade e agora as ações tomadas nestas regiões devem ser replicadas mundo afora.

Garoto no Quênia pegando água. Fonte: Global Health Blog

Quando nos propomos a analisar o “status quo” dos serviços de abastecimento de água e políticas de saneamento em países pobres e em desenvolvimento, nos deparamos com um cenário de tremenda preocupação.

Para se ter uma ideia dos desafios existentes, de acordo com a Organização Mundial da Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), entidades parceiras no Joint Monitoring Programme, mais de 700 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água limpa, algo tão prosaico para muitos de nós, e metade dessas pessoas vive na África Subsaariana.

Mais de um terço da população mundial — 2,5 bilhões de pessoas — vive sem estrutura de saneamento e, destas, 1 bilhão defeca a céu aberto, o que as expõe à inúmeras doenças que matam milhões anualmente.

Das 2,5 bilhões de pessoas sem condições de saneamento, 70% vive em áreas rurais. No entanto, as tendências globais indicam alto crescimento das áreas urbanas em todos os países, sobretudo naqueles que ainda se desenvolvem. O DESA (United Nations Department of Economic and Social Affairs) relata que o mundo tem sua área urbana maior que a área rural desde 1950, mas regiões como África e Ásia ainda têm maioria rural, o que tende a mudar até 2030.

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio têm como uma de suas metas prover serviços de saneamento à 75% da população mundial até o fim de 2015. Tudo indica que estamos no caminho para atingi-las, mas chegar até aqui nos colocou diante de outros grandes desafios.

A água, como todos sabem, é tremendamente pesada. Armazená-la é fácil e de custo relativamente baixo, mas transportá-la é um grande problema. As áreas urbanas cada vez mais extinguem as nascentes dos rios e criam a necessidade de se “importar” água de outras regiões. Logo, os custos da água se elevarão e a tendência é que haja falta de água em diversos centros urbanos — tomem São Paulo como exemplo.

No mais, o aquecimento global é iminente e a vida em um planeta mais quente irá alterar o ciclo dos alimentos e transformará a utilidade da água, aumentando ainda mais o uso pelo setor agrícola, seu principal consumidor — atualmente, cerca de 92% da água doce do mundo é usada na irrigação do solo.

A preocupação é tamanha, tanto na questão da água como nos problemas relacionados aos alimentos, que o próprio Banco Mundial iniciou uma série de programas e cursos para disseminar o conhecimento sobre estas questões e publicou um relatório que alerta e detalha os motivos para evitarmos viver em um planeta 4ºC mais quente. E, segundo dados do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), é isso o que acontecerá até 2050.

Enfim, o que podemos esperar do futuro? Os riscos são elevados e temos de nos preparar para o cenário que se tornará real nas próximas décadas e afetará todo tipo de negócio. Também devemos, de uma vez por todas, colocar a sustentabilidade em nossas agendas e em nossas ações cotidianas, mas, acima de tudo, cobrar dos governos certa preocupação com os desafios globais para que as nações passem a falar línguas ao menos parecidas na busca de soluções para este problema que é de todos nós.


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