Poesia partida

Não há na morte nenhuma beleza.
Bela é a vida!
Pulsante ou amena, grande ou pequena!
A vida... ah, a vida sempre vale o poema.

Não há alívio em morrer,
Não para os que ficam.
Também não há alternativa,
Mas o óbvio sempre soa inesperado.
Nada é mais certo e ao mesmo tempo mais errado.

Meu amigo, ao menos, não carrega consigo o medo do desconhecido.
Vai como viveu.
E, ah, tinha vida!
Brilhava, encantava, irradiava, amava.
Era lindo. Exuberante.

O que seu corpo não consegue mais demonstrar, transborda-lhe pelos olhos.
Meu amigo me ama com o que resta de forças e eu o amo com todas as minhas.
O toque é, e precisa ser, delicado,
Mas até seu último suspiro não lhe faltará o afago.

Quem dera acreditar que existe algo,
Para afastar a face fúnebre do dia,
Que faz da falta fantasia
E que a paz na perda é poesia.

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