Kaisen nas amizades — Como avançar das companhias às amizades?

A Segunda Guerra Mundial trouxe consequências devastadoras ao Japão (derrotado), prejudicando muito sua indústria, ao ponto de se ter de começar quase do zero. Kaisen foi um modelo ideológico-emocional implementado na organização dos processos e na gestão de pessoas no país. Veio para suplantar o tradicional modelo de hierarquia (de cima pra baixo) e dar um novo e revolucionário método de gestão (horizontalizado), ou seja, concebendo importância a cada setor da linha de montagem e a cada indivíduo na esfera de produção. A partir desse novo horizonte, a produtividade deu um salto importantíssimo na reconstrução da economia japonesa, o tornando, em poucos anos, líder mundial na produção e inovação automobilística, com o chamado modelo de produção “toyotista”. O que pouca gente sabe é que por trás desse sucesso de montagem flexível, estava imbuído a ideologia de Kaisen. E o que prega essa filosofia? E como podemos relacionar essa ideologia com os relacionamentos interpessoais?

São três os pilares de comportamento que essa ideologia se assenta, são eles:

  • Confiança — Ao invés de se ter um funcionário, continuamente, fiscalizando e punindo os erros dos empregados subordinados, eles, próprios, tinham a responsabilidade de fazer acontecer o seu trabalho. Isso era uma confiança na capacidade de todos os envolvidos, como se todos fossem honestos e, acima de tudo, capazes.
  • Respeito — Ao invés de se ter a chamada ideologia de “patrão mandou e empregado obedeceu calado”, nesta nova filosofia todos os funcionários teriam o direito de dar sugestões no processo de trabalho, isso, também, foi outro ganho da indústria japonesa, que foi feliz ao compreender que o próprio funcionário sabe, mais do que ninguém, como fazer o seu trabalho específico e não os superiores, que muitas vezes não tinham ainda experimentado “botar a mão na massa”, mas somente mandavam.
  • Liberdade — A ideologia tradicional de rigidez na jornada de trabalho e falta de criatividade, por exemplo, dão lugar à liberdade em se criarem novos produtos e processos de trabalho. Algumas vezes, até se davam prêmios aos funcionários que faziam a sugestão mais inovadora no mês. Eles se sentiam mais “donos” daquele negócio e isso aumentava na motivação, e, consequentemente, na produtividade de toda a empresa.

E que relação têm isso com as amizades? Como aplicar isso nos relacionamentos? Já perguntamos um pouco mais atrás e estamos indagando novamente.

Já perceberam estar numa relação unilateral, em que o outro o tem como seu companheiro de saída e não como um amigo legítimo? Amigo é aquele que se importa com a opinião do parceiro, já companheiro é aquele que somente o quer para a companhia daquilo que se planejou solitariamente. Para dar um exemplo: Um “dito amigo” o convida para sair, e ao saírem ele lhe aponta o que fazer, a hora e o lugar escolhido por ele, sem perguntar a você se também o quer…isso é o que nós, às vezes, experimentamos sem nos dar conta de que estamos somente servindo de companhia de outro e não somos respeitados como amigos legítimos.

Quem sabe se ao implementássemos Kaisen nos nossos relacionamentos, não seríamos mais amigos e melhoraríamos as relações que nos envolvem, seja no trabalho, família (com o cônjuge e até filhos) e nas amizades? Se nos importássemos e cedêssemos mais à opinião do parceiro(a), mesmo que essa outra opinião não fosse a melhor naquela ocasião? Se déssemos mais liberdade quando o outro disser que não está a fim de sair ou fazer alguma coisa? Confiássemos mais no que o outro diz, mesmo que achemos não fazer muito sentido, esperar e ter mais fé no outro? Afinal de contas, tudo o que está encoberto é descoberto um dia, sem esforço. Pra quê desconfiar? Isso só destrói, mina as amizades.

SEJAMOS AMIGOS E NÃO APENAS COMPANHIAS!