Envelhecer não é para fracos

Desde pequena, sempre convivi com pessoas mais velhas. Meus pais eram uma geração acima da dos pais dos meus amigos. Cresci com medo que eles pudessem morrer a qualquer momento, já que eram mais velhos, e eu iria ficar sozinha no mundo (Na verdade, eles morreram ainda no início da velhice — meu pai, com 66 e minha mãe, com 64 anos — e eu mal tinha entrado nos 20 anos). Quando meu pai teve um derrame, eu tinha 13 anos, e passei a conviver com uma rotina de medicamentos, terapias, médicos e hospitais que em geral não fazem parte do cotidiano de uma adolescente.
Essa presença da velhice na minha casa e na minha vida, ainda que não fosse acompanhada por rabugice nem pelo sentimento de decrepitude, sem dúvida me trouxe a consciência da finitude, da limitação e dos cuidados com o parente que envelhece e perde grande parte das suas habilidades e capacidades.
Hoje, acompanho esta involução acontecer de forma gradual na minha sogra. De modo bem lento, uma regressão a cada vez, perdendo aos poucos a mobilidade, a audição, a visão, o raciocínio, o entendimento das conversas.
Seguir ao lado deste processo não é simples — muitas vezes me pego sem paciência, incomodada com a lentidão ou com a ausência. É doloroso também observar aquela pessoa que já foi autônoma transformar-se num ser dependente e quase imóvel.
Envelhecer é difícil, não pelos sinais visíveis da velhice — cabelos brancos, rugas, alguns quilos a mais (embora para muitas pessoas, estes pareçam ser sintomas de uma doença a ser combatida a qualquer custo). O lado avassalador da velhice é a perda de si mesmo. Conservar-se, enquanto os anos passam, não é para fracos.
