¹Resultado do exercício cênico para o projeto Oswaldianas do Teatro Oficina:

Sou brasileira, constituída por um corpo brasileiro, caracterizado pela mistura, pela miscigenação e, dessa forma, um corpo ‘antropofagizado’. Um corpo que absorveu histórias e culturas e, assim sendo, como os indígenas antes da colonização do Brasil, uniu as alteridades em um movimento antropofágico e involuntário. Que não se tornou superior, mas caracterizou toda nossa cultura, toda a essência da brasilidade. Um sentimento historicamente construído, mas que, em essência, nos torna únicos e nos une. Dessa forma, à procura por um novo corpo, o “corpo sem órgãos” de Artaud, longe do adestrado, do cotidiano, através das influencias do outro, daqueles que convivo, dos que conheço, de práticas e experiências. Funciona como o reconhecimento e este permite a melhor compreensão de mim no outro.

Dessa forma, toda a bricolagem entre trechos do manifesto, o trecho de Deleuze e Guattari, junto com uma peça teatral de um grupo local de Belo Horizonte, concentram minha antropofagia literária: a unificação de minhas influências, meus pensamentos e questionamentos, através da palavra de outros, unidos por um sentido único. Sentido este, que não se afasta dos originais, mas que o complementa e torna minha experiencia única.

“Será tão triste e perigoso não mais suportar os olhos para ver, os pulmões para respirar, a boca para engolir, a língua para falar, o cérebro para pensar, o ânus e a laringe, a cabeça e as pernas?
Contra todos os importadores de consciência enlatada, contra o mundo reversível e as ideias objetivadas, contra a realidade social, vestida e opressora! Queremos a Revolução Caraíba! A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem! A transformação permanente do Tabu em totem.
Pense! O menor descuido vos fará partir na direção oposta ao vosso destino! Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade. A Alegria é a prova dos nove e só a antropofagia nos une.
Eu vou dançar, porque a palavra precisa do corpo pra se dilatar”.
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