Bailarina

Princesa das nuvens, girando em palcos de estrelas cadentes. Inalcançável, salta de sonho em sonho, distante de todo tempo, desconhece qualquer realidade. Caçadora de estrelas, espera pacientemente o sol chegar para começar uma nova dança. Pequena ninfa das horas, corre na trilha de dinossauros mitológicos criando seu infinito com sereias do universo. Explorando eras inabitadas por homens de pouca fé.

Carrega nos braços o mundo, abraçando os injustos com uma pureza inabalável. Cigana do vento, lê a sorte dos povos mortos, traduzindo línguas extintas, enxerga pra si um futuro de vidro e distribui histórias de luz pra quem lhe oferece a mão direita. Gladiadora incurável, sangra o sangue dos fantasmas que leva nos ombros, infiéis companheiros de viagem. Quimeras de açúcar que a perseguem além da vida.

Escrava branca de neologismos baratos, se pinta e rabisca pessoas inventadas, o rosto coberto por uma franja de ideias, na busca desesperada por um tempo que não fosse perdido. Pirata de um olho só, navegando por águas secas de esperanças perdidas na terra do nunca e do sempre e de vez em quando. Um mar de ressaca no olho que vigia tudo sem descanso, que não se prende à coisa alguma, delineado ou não.


Originally published at acerejadotopo.blogspot.com.

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