Cry, Baby, Cry…

Às vezes eu reclamo muito de ser alguém tão sensível. Às vezes, não. Sempre. Mas, em certos dias, me pego aceitando que é apenas um peso que preciso carregar comigo. E sei que, muitas vezes, ele nem é tão pesado assim.
Ser extremamente sensível pode chamar algumas doenças, é claro. Afinal, o mundo é muita coisa pra gente processar. Você pode ter alguns ataques de pânico, pode ter dificuldades para dormir, pode se sentir doente o tempo todo, pode chorar até pegar no sono pensando no que somos e onde estamos, e como foi que chegamos aqui. E chorar é algo que fazemos. Muito.
Nós choramos o tempo todo. Nós choramos quando estamos nervosos ou cansados, quando estamos tristes ou felizes. Nós choramos quando discutimos com alguém, quando temos um grande evento chegando, quando ouvimos aquela música ou assistimos àquele filme, até quando nem temos motivo. Nós também ficamos bastante irritados com as menores coisas. Seja um barulho contínuo ou a voz de alguém, ou até mesmo aquelas conversas de bar que ninguém aguenta mais. TUDO tem a dimensão muito maior do que realmente tem.
Muitas vezes é complicado pra gente entender o que realmente está acontecendo ao redor, porque nossa visão sensível aumenta todos os atos e palavras umas 20 vezes, distorcendo-as. Um “OK” pode significar desde “não ligo para a sua existência” até um simples “OK”, mas chegamos quase sempre na opção menos otimista. Vocês, terráqueos comuns, que convivem com pessoas como nós, precisam tomar um cuidado gigantesco com as palavras ditas e as ações feitas, porque o mais simples movimento de mão já pode significar algo enorme.
Mas ser tão sensível assim também nos traz momentos de prazer infinitos. A arte deve ser nossa melhor amiga. Nós lemos um poema e sabemos do que ele fala. Nós olhamos uma pintura e nos transportamos para dentro dela. Nós assistimos a um filme e sentimos seus personagens em cada pedacinho da nossa pele. Nós ouvimos uma música e de repente já somos parte dela. E sentir as lágrimas quentes que tentam escorrer dos nossos olhos enquanto nosso peito se torna igualmente aquecido é uma das melhores e maiores sensações que um ser humano consegue ter. Se emocionar com um ato, algumas palavras ou com a simples existência de uma pessoa especial para nós é o que nos faz sentirmos vivos nesse enorme mundo de mortos-vivos.
E, de repente, sua existência já passa a fazer sentido. O sol passa a fazer sentido. O vento passa a fazer sentido. As casas, as igrejas, os ônibus, as pessoas… Ah, as pessoas passam a fazer muito sentido.
É mesmo só questão de ponto de vista.